quinta-feira, junho 9

Histórias de Minas - Seleta

A história é bonita, gostaria até de acreditar, beberia com mais prazer. Porém, sei bem quem tá do lado de lá! Hipócritas!

“Antônio Rodrigues é um homem obstinado, totalmente devotado à cana e ao alambique. Ele é o homem que escuta o cantar do canavial. Ajudado pelo vento e pela fantasia ele percebe que a hora chegou. Hora de moer o milho para a fermentação. Hora de lubrificar a moenda. Antônio vive ao norte de Minas, quase Bahia, numa cidadezinha encravada em um vale árido e quente. Salinas é conhecida por sua cana incrivelmente doce de onde se extrai uma magnífica cachaça, feita por homens que não se dobram à inclemência do clima. Acompanhar Antônio caminhando entre seus tonéis é um privilégio. Ele escolhe a madeira e constrói cada tonel com enorme dedicação, já que de lá descansa a sua incrível cachaça, que serve orgulhoso. Das fazendas Olaria e Sobradinho saem as cachaças que se tornaram símbolo da região. Esperamos que ao provar a cachaça de Antônio você possa lembrar que nos confins do nosso país existem pessoas tão especiais como o homem que escuta o canavial”.

quarta-feira, junho 8

Louca

Moça,
Não foi só na minha cabeça.
Ficaste também na minha boca.

domingo, junho 5

Só mais unzinho...

"Acontece que estou cansado de ser um homem". (Pablo Neruda)

E mais

"O amor é tão curto
Esquecer é tão longo".
(Pablo Neruda)

Mais Carteiro e o Poeta

"Se pouco a pouco você deixou de me amar,
Eu deixarei de amar você pouco a pouco".
(Pablo Neruda)

O Carteiro e o Poeta

Sobre as referências musicais e literárias que muitos não gostam ou não entendem:

"A poesia não pertence a quem a escreve, mas àqueles que precisam dela". (Frase do carteiro)

sábado, junho 4

Cecília

Já se conheciam e se amavam há 22 anos. Há 22 anos que se conheciam e se amavam. A rotina, por vezes, atuava e disso se esqueciam (ou seria o esquecimento, unilateral?), mas quando lembravam...Ah, quando lembravam!

Num dia desses de lembranças, permitiram às lágrimas, rolar (ou era só ele que não permitia normalmente?). Olharam-se de lado e pensaram: “eu sei que a gente se ama muito, é que, às vezes, é preciso resistir pra que andemos com nossas próprias pernas” (será que foi só ele que pensou isso?).

Foi uma declaração à distância, uma declaração pelo olhar. Não foi preciso um beijo ou um abraço. Os olhares cansados e marejados disseram: “eu te amo desse jeito, não preciso fazer estardalhaço” (porra, será que foi só ele que pensou isso tudo?).

Ela sabia tudo que ele pensava, mas tudo mesmo, inclusive esses pensamentos tolos sobre a unilateralidade. Pensou e pensou tão alto que ele ouviu: “te olho, te guardo, te sigo, te vejo dormir”.

sexta-feira, junho 3

Nobody Knows

Ah, sexta feira! Seria pena esperar em vão! Hoje eu quero fazer o meu Carnaval! O Chico, sempre o Chico, completa:

"Amanhã ninguém sabe
Traga-me um violão
Antes que o amor acabe

Amanhã ninguém sabe
traga-me uma morena
antes que o amor acabe

(...)

Eu quero cantar o amor
antes que o amor acabe"

(Amanhã Ninguém Sabe)

Mas eu digo venha

"O que quer que eu diga, você não vai entender".

"Eu não sei dizer
o que quer dizer
o que vou dizer
eu amo você,
mas não sei o que
isso quer dizer".

(Zeca Balero - Lenha)

terça-feira, maio 31

Poema em Linha Torta

O que que se faz com o já feito?
Me diga:
O que que se faz com o desfeito?
Com o imperfeito?
Com o teu jeito?

O que que se faz com o defeito?
Me diga:
Onde ficam escondidos os defeitos dos perfeitos?

Ah, os perfeitos!
Será que só Pessoa que era vil, mesquinho e infame?
Vai, me diga:
Será?
Onde está?

Cadê o teu preconceito,
Teu pensar estreito,
Tua bunda de fora?!
Mostre, vai!
Sentirá-se melhor.
E eu também!

Sábia e Reflexiva Dona Uda 2

Ao saber que os homens descendem do macaco e não de Adão e Eva:

"Caramba, bem que eu percebo que algumas pessoas são bem parecidas com macaco. O filho do Miltinho é igualzinho a um miquinho".

Sábia e Reflexiva Dona Uda

"Cada pensar é diferente".

Be Atriz Intrépida

Ah, isso é uma das coisas mais belas que alguém já fez.

Olha, olha! Será? Será que o tempo passa? Será que eu posso não andar com os pés no chão? Será que é divina? E se ela um dia despencar do céu? O que fazer com os pagantes? O que fazer comigo? Me leva pra sempre, vai. Me leva nessa máquina do tempo. Será que o tempo realmente passa? O tempo como grande estrela no anfiteatro, modelando o artista ao seu feitio com seu lápis impreciso" (O tempo e o artista).

“Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Diz quantos desastres têm na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz”.

(Beatriz – Chico na voz do Milton)

sábado, maio 28

Ué 2

-Pô, cara, não quero mais ser flanelinha não. Descobri o que quero.
- O que?
- Pô, quero treinar o time mirim lá da comunidade.
- Por quê?
- Pô, lembra do Gabina, cara? De como a gente gostava dele?
- Sim, lembro.
- Pois é, quero que aquela garotada goste de mim daquele jeito.
- Mas isso não dá dinheiro. O Gabina não recebia nada.
- Não?
- Não, ué.
- Porra, cara. Você tá sempre estragando meus planos com os seus "ués". Ainda te enforco nessa gravata aí!

Oração pro Coração

Se um dia tu soubesses
Tudo que me passa
Farias uma prece

quinta-feira, maio 26

Plásticos práticos

Os práticos mentem
Prática não é a vida
e nem o que eles sentem

segunda-feira, maio 23

Com sotaque

Entre Poconhoncas e Piritina,
ficava Potora,
Poconhoncas do abacate,
Potora da amora.

Em Piritina, perdeu as botas,
em Potora, as meias,
em Poconhoncas, as veias,
em Jubiruba, as teias.

Teias de aranha,
cidade chafariz,
o povo jubirubense
só pretende ser feliz.

Feliz no chafariz,
chafariz que vem de cima,
versos infantis,
com pingos que molham
os cabelos e o nariz.

A luz de gás néon,
mergulhada na água com açúcar,
dá o tom.
A pedra machuca,
a onda relaxa.

Relaxa tanto,
que queria ser onda
pra fazer relaxar,
apesar da turbulência.

E lá de cima, os aviões avistam os navios.
Ou seria o contrário?

domingo, maio 22

- E aí, como andam as coisas?
- Estou começando minha vida profissional.
- Ah, é? Em que?
- Flanelinha.
- Flanelinha?
- É, flanelinha. Dá dinheiro.
- Ahh..
- O que foi?
- Nada, ué.
- Ué porquê?
- Ué, só falei ué.
- Ihhh, falou ué mais duas vezes. Qual o problema?
- Nada, ué.
- Porra, vai tomar no cú com o seu ué! O que você anda fazendo?
- Tô trabalhando naquela empresa de computação.
- Ah é, de gravata?
- Não, não. Normal.
- Normal como?
- Normal, ué.
- Porra, vai se fuder! Ué de cú é rola!

sábado, maio 21

Pastelão

A prisão da sua verdade
nada mais é senão
saudade

Minha comitragédia é bonita.
não acha?(!)

sexta-feira, maio 20

Apple Pie

Andando em linhas porcas,
em tortas de maçã,
por portas sem maçanetas.
Linhas tortas maçantes!

Linhas porcas traçantes!
Rastejantes, humilhantes,
deploráveis, infindáveis.

Novas linhas marcantes,
esperando a esperança
que resta na lembrança.
Lembrança de criança.

Linhas novas cativantes!