quarta-feira, maio 17

Post Novo

Hoje eu quero pensar no que nunca senti. Todo sentimento novo me faz pensar no que nunca senti e talvez no que nunca irei sentir.

É uma sensação maravilhosa,
Por mais que ansiosa,
De todas as possibilidades que a vida reserva.

Viajarei de avião pela segunda vez,
E isso me arrepia,
Pois da primeira,
Talvez por sê-la,
Tive uma sensação nova,
Dessas maravilhosas,
Que por mais que ansiosas,
Causam a esperança supracitada.

Percebi, ora bolas,
A minha insignificância,
Perante a imensidão de tudo.

Não ria, menina,
Eu achava que era grande,
Embora seja,
Mas eu achava que era maior,
Maior do que sou, sabe?

Achava que o mundo dependia de mim.
Não ria, poxa,
Eu achava mesmo,
E pior,
Achava que gostava disso.

Gostava não,
Eu gosto dessa sensação de leveza,
De pertencimento,
De poder quebrar o pé,
Sem que haja um colapso,
(Por mais que goste também da falta que causo –
Humanóides egocêntricos)

Hoje eu te quero,
Muito mais do que um dia pude querer ser maior,
Mesmo porque eu só achava que queria.
Queria não.

Te quero com meu coração,
Com meu corpo,
Com minha boca,
Muito mais do que com meu ego,
Por mais que o alimente.

Te quero minha, mesmo que livre,
Te quero linda, mesmo com rugas,
Te quero feliz, mesmo que continue buscando.

Ai, essas pessoas não entendem nada de antônimos!

domingo, maio 14

Big Brother

Parceiro de festas, sonhos
E realidades,

Nos dias virados,
Em que pesaram a fragilidade
E evidenciaram-se minhas imperfeições –
Tão imperfeitamente escondidas -
Pude sentir no teu afago
Um acolhedor carinho humano -
Meu coração, meu nariz e meu pé te agradecem.

Nos dias de festas,
Vejo o esforço dos teus olhos -
Já tão miúdos normalmente -,
De ficarem abertos
Para aproveitarmos juntos,
Até a exaustão do corpo,
A beleza dos nossos dias,
Que sabemos
Finitos.

Nos dias de sonhos,
De vida comunitária,
De emancipação social,
De igualdade de oportunidades,
Procuro a tua aprovação na luta diária,
Mesmo que discorde,
Como um menino que precisa ouvir o irmão mais velho.

Voemos, portanto,
Sem medo de avião.

sábado, maio 6

Entregue

Amigo dos dias difíceis,
Se peço socorro pra ti,
É por que enxergo e sinto
Na beleza dos teus olhos e da tua alma
O conforto que necessito
Pra levar a vida com mais leveza.

Encontrando os meus defeitos nos teus,
Me faço humano,
Me desfaço do pano,
Que por muito desengano,
Me separa dos seres errantes.

Amo-te,
Assim como tuas idéias,
Que por vezes concretizamos
Em cartas sonhadoras e utópicas.

Utopias vividas,
Pois acredito na vivência da imaginação,
Mesmo que momentânea.

Sei, que o todo é feito de partes,
Assim como a vida de momentos,
Motivo pelo qual valorizo
O teu sorriso
E tua alegria revolucionária.

Comparo-os a um grito de liberdade,
Tão intenso e bonito,
Que me faz sentir saudade do presente
Mesmo incerto, tortuoso e errante.

Amo as entregas.

terça-feira, abril 11

Sinto que minto

Claro que sinto
E minto.
Minto que não sinto,
Mas sinto que minto que não sinto,
Portanto sinto.

Já que sinto,
O que faço então?

Se minto, também sinto que minto –
Mentira curta –
Logo percebo e sinto de novo
E sinto dobrado -
O já sentido e a sensação de mentira.

Minto pra mim, mas logo sinto.

O que faço então?

Aceito que sinto?
Mudo o que sinto?
Como mudo o que sinto?

Sinto,
Minto,
Sinto que minto,
Penso que sinto que minto.

Sensação quadruplicada.

Prazer de ter sensação, talvez.
Mas cansado do prazer mórbido.

Não quero mais sentir tudo
Pra não precisar mentir.

Sinto
E penso a verdade,
Meu rosto não nega.

Preciso me olhar de fora, por vezes.

sábado, abril 8

Ambas

Guardo e sugo teus olhos
Pra que nos momentos distantes
Em que tocamos nossas vidas
Possa sentí-las de fato -
A vida e tu.

sexta-feira, março 17

Gelatina

E a vida passa. E a vida passa. E a vida corre.

Por mais que tente pegá-la, agarrá-la, mesmo por um ínfimo momento, não conseguirás. É como uma gelatina pululante, que se esparrama pelos dedos, no difícil momento em que consegues tê-la em mãos. Aliás, não a tens em mãos. Ontem, alisaste a vida, eu sei, e achaste que fosse capaz de segurá-la. Ledo engano, menino inocente. Talvez porque esteja com a noção errada do que seja ter a vida em mãos.

Controlá-la?

Se é isso que pensas, pena de ti. Pois nunca conseguirás e mesmo que conseguisses, terias um insuportável sabor de chatice misturado com a amargura da onipotência, que a vida – essa mesma que não consegues agarrar – te fez ter. Controlá-la significaria perder o prazer – o maior da vida – do imprevisível, que te faz mudar os planos que tanto prezas, mas, que no fundo sabes, insuportáveis.

Agora, ter a vida em mãos pode ser a consciência de que não ela não é controlável e de que é o imprevisível, o não controle, o que mais te causa prazer. A tem em mãos no momento em que não a tem. Sim, sei que parece filosofia barata. Redefinirei.

Saber alguns dos meandros da vida, ou ao menos da tua vida, é a consciência necessária para te livrar das angústias da vulnerabilidade que sentes, pois tal consciência te mostra o quanto gostas desta gelatina pululante, desta incerteza diária, desta vulnerabilidade que tanto te angustia. Não pela angústia, mas pelo prazer da incerteza que te causa. Será que pela angústia também?

E a vida voa. E a vida voa. E se esparrama.

quarta-feira, março 8

Sou

Queria ouvir numa música algo parecido com que sinto. Mesmo que a música diga que não sabe dizer o que sente. Quero saber o que sinto ou compartilhar a ignorância dos sentimentos com alguém.

Algo como “meu coração, não sei porque, bate feliz quando te vê”. Ah, essa música é bacana, pois diz o que sente sem saber o que sente, já que não sabe o porquê.

Quero dizer o que sinto, sem saber exatamente. Por que precisaria saber exatamente? Mania de exatas. O mundo é viciado nas ciências exatas. Na lógica formal.

Quero sentir o contraditório. Matar a razão do filho da professora de matemática com dois sentimentos opostos. Quero amar o odiável e me permitir odiar o amável.

Tudo parece engraçado e ridículo quando exposto aos nossos julgamentos. Fodam-se. Fudamo-nos. Deixemos de ser ridículos e sintamos. As pessoas, as músicas, o vento. Mesmo que repetidas.

Mesmo que nossas. Mesmo que nossas. Mais uma vez, mesmo que nossas. Respeitemos os sentimentos. Mesmo que nossos. As músicas, mesmo que nossas. As pessoas, mesmo que nossas. Ops, ato falho, não possuo ninguém, por mais que queira.

Não me possuo. Não te possuo. Embora possuído seja.

“E lá se vai mais um dia”. Sinto-me possuído pelas melodias melodiosas. Aquelas que batem e ficam. Aquelas que ficam e batem. Batem e fazem bater ainda mais. Tenho um coração que bate, que sente. Tenho um coração. Não quero, necessariamente, com isso, ter mais. Mas é magnífica a sensação de ser. De ser humano. De ter um coração. De ter um coração que bate.

Ando descobrindo que sou. Por vezes “egocentro” as coisas, mas não necessariamente. Sei, nas profundezas da minha consciência que não há de ser só aqui que bate um coração. Felizmente, pois haveria de ser tedioso esse triunfo egocêntrico. Haveria de ser solitário. Não haveria de ser, aliás.

Ando descobrindo que sou. Que serei. E seres também.

terça-feira, fevereiro 28

Média

Caretice mesmo é o desregramento pelo simples medo da caretice. Desregramento que não respeita os limites suportáveis.

Pensamento um tanto medíocre, eu sei, mas prefiro ficar com as sensações que consigo bancar.

Nova sensação de mediocridade. Como se nunca fosse além.

quarta-feira, fevereiro 22

Presságio

Desde então

Presságio

Tão apressado

Que esperou

alisE

Olhos amedrontadores
Ou seriam assustadores?

Nada disso, são doces.
Só tem medo ou susto
Quem não os vê
Com a devida atenção
E não percebe que a força é frágil
Ou está na fragilidade
Dos olhos fortes.

E assim dizia os bobos idos de dezembro de 2005:

E volta a cara de bobo
Que de boba nada tem
Estimulada pela insistência
De viver algo além

Além do que se vê
Com os olhos fracos
E desatentos.

quinta-feira, fevereiro 9

O resto

Meio que estou,
Meio que sou,
Meio que vou,
Meio que cedo,
Meio que tarde,
Meio que noite,
Meio que bobo,
Meio que sério,
Meio que eu,
Meio que procuro,
Não tão despretensiosamente assim,
O resto.

Haverá?

Sim, sim,
Não sei quando,
Mas sei que,
Não sei quanto,
Mas sei se.

Futuro

Mais um daqueles,
Eu mando tudo pro alto
E faço de ti
O meu amor.

quarta-feira, janeiro 25

L(e)amb(r)ança

Sim, eu sei, menina,
Não é só isso,
Tem um tanto daquilo outro,
Mas é isso também
E isso é o que resta a ser feito.

As nossas melhores lembranças
E lambanças
Aparecem vez em quando
Pra desvirtuar as outras tantas em construção.

Não devem ser motivo de culpa,
Muito menos de desvirtuamento ou descontrução,
Pois como sabemos bem,
Toda essa vida nova se baseia e se constrói
A partir das lambanças passadas

Mas não me pergunte o que são as lambanças presentes
Nem o que fazer com elas.

sexta-feira, janeiro 6

Ai, a primeira fresta

Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava

Carlos amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha

(Flor da Idade - Chico Buarque)

sábado, dezembro 31

Torres Ribeiro

Ana Clara,
Clara Ana,
Claríssima,
Aníssima,
Claro que é Ana,
Ana que é Clara,
Que clareia,
Que elucida,
Que apaixona.

Clarana,
Serás Ana e Clara
E do mais,
Apenas será
Como a vida a moldar -
Sem idealizações.

Porém, se fores clara
Como a Ana Clara,
Moldarás a vida
E as pessoas que por ti passarem,
Com a claridade de tua alma,
Idealizada por mim, é claro,
Que por mais que tente,
Sou humano.

quinta-feira, dezembro 29

Aprendizado

Procuro na gritaria noturna, mascarada pelo silêncio que chamam de calada, uma pequenina explicação pras doenças da alma e do ego a que todos estamos vulneráveis, mas que poucos querem(os) admitir. Não admissão que agrava o estado clínico, pois a falta de diagnóstico agrava a doença pelo fato de lidarmos com os nossos defeitos da mesma forma doentia e defeituosa que os causaram. Não saímos do ciclo vicioso, não aprendemos nada com o que se passa.

Por vezes, me sinto surdo. Parece que não ouço ninguém, a não ser a mim mesmo. Outras, parece que ouço demais. Pertenço ao mundo que critico, ao mesmo tempo em que pertenço ao mundo que amo. Colaboro com o mundo que critico, mas também sei que luto pelo mundo que amo. Não aprendi a lidar com a minha ambigüidade.

Quero gente, amar gente, largar esse amor platônico e doentio que só sabe idealizar personagens de contos de fadas. Tenho a convicção de que me aceitarei muito mais como gente, ambíguo que sou, quando minhas paixões, amores e até desamores, forem gente ao invés de mocinhos e vilões.

Sim, sentirei falta do amor rasgado, inexplicável, apesar de tentar empalavrá-lo o tempo todo, sem fechar a minha matraca, racional que sou. Foi-me útil por mostrar que o sentimento é meu, direcionável para pessoas diversas, porém específicas.

Mas preciso me desvencilhar do que me foi útil. Quero encontrar pessoas para me aceitar como tal e, quem sabe, parar de escrever bobagem.

quinta-feira, dezembro 22

Mudo

Me impressiono neste momento da vida, linha tênue que divide o menino em dois, com dois tipos de coisas: as que estão mudando e as que não estão mudando.

As que não estão mudando talvez seja o eu, que procuro há tanto tempo, nesse emaranhado da vida, que nos confude com o que gostaríamos de ser.

E ser é o que gostaria(mos) de ser.

Eu amo tudo o que foi

Tudo que já não é,
A dor que já não me dói,
A antiga e errônea fé
O ontem que dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi e voou
E hoje é já outro dia.

(Fernando Pessoa)

terça-feira, dezembro 20

Azedou

Eu sei, foi um doce te amar
O amargo foi querer-te pra mim

(Rodrigo Amarante adaptado)