Clara, com seus dedos finos, personalidade forte e olhar dissimulado, não conseguia entender a hora de deixar. Tudo parecia desistência e Clara não entendia que continuar, por vezes, era uma desistência. Clara, com seus dedos finos, personalidade forte, olhar dissimulado e persistência poucas vezes desistia. E não entendia que a insistência, por vezes, era uma desistência.
Clara, com seus dedos finos, personalidade forte, olhar dissimulado, persistência e ingenuidade dava murros em ponta de faca. Clara seria capaz de voar pela janela. Clara não seria capaz de se suicidar. A ingenuidade de Clara parecia insana aos insanos realistas. Clara sabia voar, ao contrário dos insanos realistas, parasitas da história.
Sua mãe nunca lhe dissera, mas era a mistura de dois grandes nomes. Clarice com Laura. Clarice e Laura nunca se conheceram, passaram por momentos distintos na vida da mãe de Clara. Ambas sabiam voar, ambas tinham inclinações musicais, ambas sabiam amar. Clara fora muito idealizada, como toda criança. Clara tinha passado, entendia de história, motivo pelo qual não desistia. Clara persistia proque entendia de história.
Olhando para o mato escuro, ouvindo música nova, Clara insistia na desistência. Clara, entretanto, desistia da mediocridade dos parasitas da história. Clara tinha o que aprender sobre o amor. Clara tinha o que ensinar sobre história.
segunda-feira, setembro 11
quinta-feira, setembro 7
A janela de Clara
Sentada nessa mesma posição, olhando pra mesma mata, pensando também em andar pelo telhado, procurando o mico que outrora vira e embargando a voz pra pronunciar o nome de quem, há pouco, estivera com ela olhando a mesma mata.
A menina que nessa casa morou, fruto da minha imaginação, também pensava nos que antes dela aqui estiveram, sonhando com um mundo dos que sonham, dos que acreditam que constroem a história, dos que constroem. Sonhos não envelhecem nem morrem.
A menina de cabelo curto desalinhado, de traços fortes, porém delicados, captava os sonhos dos que antes dela estiveram aqui. Sonhos que ficam no ar, que não a deixava esquecer a sua continuidade no mundo, mesmo sabendo que um dia também viraria pó. Clara não se conformava com a estupidez dos que, não entendendo a citada continuidade, destruíam as condições físicas do planeta, que a cada dia se mostravam mais perecíveis.
Clara gostava da mata que olhava pela sua janela, a via como uma faixa de resistência à destruição das condições físicas do planeta. Homens, cada vez mais egoístas e burros, sabendo da sua limitação física na terra e não entendendo a continuidade dos seus sonhos, ameaçavam toda a existência e a afirmação de que os sonhos não morrem. A limitação física do planeta ameaçava a eternidade dos sonhos de Clara e dos que antes dela aqui estiveram, sentados nessa mesma posição, olhando pra mesma mata, pensando também em andar pelo telhado, procurando o mico que outrora viram e embargando a voz pra pronunciar o nome dos que, há pouco, estiveram com eles olhando a mesma mata.
A menina que nessa casa morou, fruto da minha imaginação, também pensava nos que antes dela aqui estiveram, sonhando com um mundo dos que sonham, dos que acreditam que constroem a história, dos que constroem. Sonhos não envelhecem nem morrem.
A menina de cabelo curto desalinhado, de traços fortes, porém delicados, captava os sonhos dos que antes dela estiveram aqui. Sonhos que ficam no ar, que não a deixava esquecer a sua continuidade no mundo, mesmo sabendo que um dia também viraria pó. Clara não se conformava com a estupidez dos que, não entendendo a citada continuidade, destruíam as condições físicas do planeta, que a cada dia se mostravam mais perecíveis.
Clara gostava da mata que olhava pela sua janela, a via como uma faixa de resistência à destruição das condições físicas do planeta. Homens, cada vez mais egoístas e burros, sabendo da sua limitação física na terra e não entendendo a continuidade dos seus sonhos, ameaçavam toda a existência e a afirmação de que os sonhos não morrem. A limitação física do planeta ameaçava a eternidade dos sonhos de Clara e dos que antes dela aqui estiveram, sentados nessa mesma posição, olhando pra mesma mata, pensando também em andar pelo telhado, procurando o mico que outrora viram e embargando a voz pra pronunciar o nome dos que, há pouco, estiveram com eles olhando a mesma mata.
quarta-feira, setembro 6
Fragmentos
Choro não só pelo que foi
Choro não só pelo que dói
Choro não só pelos nossos erros
Choro não só pela música
Choro não só pelo não feito
Choro também pelo que ficou
Choro também pelo que virá
Choro também pelos acertos que tivemos
E por todas as músicas que não consegui te mostrar
Assim como filmes e pedaços de mim.
Choro não só pelo que dói
Choro não só pelos nossos erros
Choro não só pela música
Choro não só pelo não feito
Choro também pelo que ficou
Choro também pelo que virá
Choro também pelos acertos que tivemos
E por todas as músicas que não consegui te mostrar
Assim como filmes e pedaços de mim.
Dificuldades Manuais
Sempre tive dificuldades em escrever à mão
Com a esquerda nunca
pude executar bem as coisas
que me pedia.
A firmeza da direita nunca tive.
Trêmula se me mostra às vezes.
Com a idade não poderei tomar sequer uma xícara
de café.
Mas posso ainda dar um murro na mesa
ante a atual situação ou sobraçar um montão de rosas.
Bem, neste caso, quem treme
é o coração.
(Affonso Romano de Sant'Anna)
Com a esquerda nunca
pude executar bem as coisas
que me pedia.
A firmeza da direita nunca tive.
Trêmula se me mostra às vezes.
Com a idade não poderei tomar sequer uma xícara
de café.
Mas posso ainda dar um murro na mesa
ante a atual situação ou sobraçar um montão de rosas.
Bem, neste caso, quem treme
é o coração.
(Affonso Romano de Sant'Anna)
Presente
O que te dar neste dia?
O que te daria eu ontem
quando nem te conhecia?
E amanhã, o que darei
se hoje não te dei
o que devia?
O que te dou é apenas
sombra do que querias
Dou-te prosa, e o desejo
era dar-te poesia.
(Affonso Romano de Sant'Anna)
O que te daria eu ontem
quando nem te conhecia?
E amanhã, o que darei
se hoje não te dei
o que devia?
O que te dou é apenas
sombra do que querias
Dou-te prosa, e o desejo
era dar-te poesia.
(Affonso Romano de Sant'Anna)
domingo, agosto 13
Apego
E no exato momento em que a caneta parou no papel, em que as palavras precisaram ser inventadas – e não mais expurgadas, como de costume -, percebeu que havia algo de podre no reino encantado.
“Moça dos olhos lindos (trocou menina por moça),
Preferi as páginas em branco pra poder criar em cima do nada, em cima do novo (de fato, precisavam de algo novo)”.
...
A caneta parou...
Tentou a partir de então se explicar: porque escolheu a página em branco e não um cartão apapagaiado que os namorados costumam dar, porque a escolheu sabendo de todas as complicações que isso causaria (sim, já sabia), porque escrevia essa carta de maneira tão idiota e, finalmente, porque ela não fluía e porque havia vários pontos no papel de caneta parada.
A carta, que nunca fora carta, tinha muitos pontos manchando o papel e não fosse o choro seco que o atormentava neste dia, os pontos de caneta seriam manchados pelas lágrimas, que rolavam internamente e se acumulavam em algum depósito lacrimal. Seria essa a razão das mudanças no seu corpo?
O choro seco é corrosivo
Carta pra ser carta precisa ser entregue, mas choro pra ser choro não precisa ter lágrimas. Chorava pela carta que não era carta. Precisava torná-la carta ou parar de precisar disso. Precisava desaguar, talvez precisasse corroer.
O apego é corrosivo.
Precisava corroê-lo porque não é possível eliminá-lo de uma só vez.
“Moça dos olhos lindos (trocou menina por moça),
Preferi as páginas em branco pra poder criar em cima do nada, em cima do novo (de fato, precisavam de algo novo)”.
...
A caneta parou...
Tentou a partir de então se explicar: porque escolheu a página em branco e não um cartão apapagaiado que os namorados costumam dar, porque a escolheu sabendo de todas as complicações que isso causaria (sim, já sabia), porque escrevia essa carta de maneira tão idiota e, finalmente, porque ela não fluía e porque havia vários pontos no papel de caneta parada.
A carta, que nunca fora carta, tinha muitos pontos manchando o papel e não fosse o choro seco que o atormentava neste dia, os pontos de caneta seriam manchados pelas lágrimas, que rolavam internamente e se acumulavam em algum depósito lacrimal. Seria essa a razão das mudanças no seu corpo?
O choro seco é corrosivo
Carta pra ser carta precisa ser entregue, mas choro pra ser choro não precisa ter lágrimas. Chorava pela carta que não era carta. Precisava torná-la carta ou parar de precisar disso. Precisava desaguar, talvez precisasse corroer.
O apego é corrosivo.
Precisava corroê-lo porque não é possível eliminá-lo de uma só vez.
segunda-feira, agosto 7
Dias assim
Dias de sim
Dias de não
Dias de quanto
Dias de tão
Dias de muito
Dias de pouco
Dias de graça
Dias sem graças
Dias de dia
Dias de noite
Dias de domingo
Dias de sábado
Dias de luta
Dias de preguiça
Dias de santo
Dias nem tanto
Dias quentes
Dias mornos
Dias de paixão
Dias de desamor
Dias de carinho
Dias de dor
Dias de cão
Dias de ressaca
Dias normais
Dias cansados
Dias demais
Demais, demais,
Porém com a absoluta convicção de estar vivendo os melhores 80 anos da minha vida
Dias de não
Dias de quanto
Dias de tão
Dias de muito
Dias de pouco
Dias de graça
Dias sem graças
Dias de dia
Dias de noite
Dias de domingo
Dias de sábado
Dias de luta
Dias de preguiça
Dias de santo
Dias nem tanto
Dias quentes
Dias mornos
Dias de paixão
Dias de desamor
Dias de carinho
Dias de dor
Dias de cão
Dias de ressaca
Dias normais
Dias cansados
Dias demais
Demais, demais,
Porém com a absoluta convicção de estar vivendo os melhores 80 anos da minha vida
sexta-feira, julho 21
Comigo
Se você vier pro que der e vier
(...)
Se você vier até onde a gente chegar
(...)
Se você quiser e vier pro que der e vier comigo
(...)
Eu lhe prometo o sol
(Geraldo Azevedo/Renato Rocha - Dia Branco)
(...)
Se você vier até onde a gente chegar
(...)
Se você quiser e vier pro que der e vier comigo
(...)
Eu lhe prometo o sol
(Geraldo Azevedo/Renato Rocha - Dia Branco)
quinta-feira, julho 20
Codinome
E espero que o mais honestos dos sentimentos esteja a flor da pele quando o beija-flor te olhar pela janela. Ontem um pousou por aqui, me olhou de lado e me assustei. Nem sempre estamos preparados para o belo. Praticamente o expulsei.
quarta-feira, julho 19
sábado, julho 15
quarta-feira, julho 12
Um pouco mais
Quando o meu bem-querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais
E quando o seu bem-querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais
E quando o meu bem-querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais
E quando o seu bem-querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais
E quando o meu bem-querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria dos animais
E quando o seu bem-querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás
(Bem querer - Chico dos olhos d'água)
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais
E quando o seu bem-querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais
E quando o meu bem-querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais
E quando o seu bem-querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais
E quando o meu bem-querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria dos animais
E quando o seu bem-querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás
(Bem querer - Chico dos olhos d'água)
domingo, julho 9
segunda-feira, julho 3
Essência
E no louco universo da família -
Em que por vezes reina a hipocrisia -,
Podem ser encontradas
As mais belas manifestações
De carinho, ternura
e Abdicações.
Universo paralelo em que nesse
Mundo vasto
Vasto mundo
Temos a real dimensão
Da importância de sermos,
Ora ofuscada pelo emaranhado
De pessoas e egos.
Em que por vezes reina a hipocrisia -,
Podem ser encontradas
As mais belas manifestações
De carinho, ternura
e Abdicações.
Universo paralelo em que nesse
Mundo vasto
Vasto mundo
Temos a real dimensão
Da importância de sermos,
Ora ofuscada pelo emaranhado
De pessoas e egos.
quinta-feira, junho 29
PS
Um coração quando chora,
Precisa ser ouvido.
Há um tanto de lágrimas
Capazes de mudar o curso das coisas.
Um coração quando arde,
Precisa ser estimulado
Antes que o fogo cesse
E retorne à mediocridade dos dias mornos.
Precisa ser ouvido.
Há um tanto de lágrimas
Capazes de mudar o curso das coisas.
Um coração quando arde,
Precisa ser estimulado
Antes que o fogo cesse
E retorne à mediocridade dos dias mornos.
domingo, junho 18
O adeus dos sonhos
Os sonhos iam viajar. Helena ia até a estação do trem. Da plataforma, dizia adeus aos sonhos com um lencinho.
(Livro dos Abraços - Eduardo Galeano)
(Livro dos Abraços - Eduardo Galeano)
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