quinta-feira, janeiro 28

mídia venezuelana

o que seria da cbn caso se recusasse a passar a voz do brasil?

e da RedeTV caso se recusasse a transmitir um discurso ministerial, pra não precisar chegar ao presidente?

e da Record se infligisse leis votadas no congresso nacional, como é o caso das tvs venezuelanas?

o direito a ter um espaço televisivo ou radiofônico, não esqueçam, é um direito concedido pelo Estado. Uma conceção estatal deve atender a interesses públicos. Será esse o interesse de uma TV golpista que mente sobre fatos no intuito de destituir um presidente eleito, reeleito, reeeleito democraticamente?

não esqueçamos que nem todas as tvs golpistas foram destituídas na Venezuela e é aí que deve residir nossa crítica. Pergunto porque a Venevision de Senderos continua intacta.

as demais que bravejam aos sete ventos clamando por democracia se aproveitam do discurso do poder do povo para atender seus interesses que nada interessam ao povo.

que sejam extintas junto com hotéis, empresas privadas e todos interesses obscuros que quando interessam clamam por democracia.

mas, camarada Chavez, não se esqueça que Venevision e Mitsubishi (MMC) também fazem parte da mesma burguesia. Por que não encarar?

Celebremos a morte da RCTV, ao menos.

e a direita mostra suas garras mais afiadas

Seria estarrecedora, se não fosse totalmente previsível, a reação da mídia brasileira ao Plano Nacional de Direitos Humanos. Enfrentar de uma só vez os militares, a igreja, o agronegócio, a grande mídia e as grandes fortunas não é uma tarefa das mais simples.

Cabe um breve apanhado do que dizem os âncoras da nossa mídia:

Hoje, Boris Casoy, do alto de seu microfone, o mais baixo da escala da mídia, fez questão de chamar de bobagens os assuntos tratados no PNDH. Entrevistou lá um jurista que estava indignado com o reconhecimento do trabalho das prostitutas. Será que o nomeado jurista, cujo nome sequer gravei, critica o que já praticou, como denunciava a poetisa Juana Inés de la Cruz no século XVII?

Alexandre Garcia estava estarrecido como um programa de governo poderia atacar os militares, os produtores rurais e os meios de informações. Como podem ser esses considerados vilões em uma só penada? pergunta o repórter. Vale lembrar que liberdade de expressão não pode ser confundida com falta de controle social dos meios de comunicação, e é exatamente disso que fala o plano.

http://www.youtube.com/watch?v=7r4bs6CrcyU&feature=related

E, por fim, o segundo maior boçal de nossa mídia (sorte dele existir o Boris Casoy), Arnaldo Jabor diz que trata-se de um programa bonito por fora e soviético por dentro. Indignado com o fato de pensarmos em julgar crimes de 40 anos atrás, indignado com os laranjais da cultrale e com a destruição da Vale e da Aracruz Celulose. Me corrijam se estiver errado, mas me parece que apenas Brasil e Uruguai não julgaram os torturadores da ditadura (não foi a toa o editorial da Folha chamando-a de Ditabranda).

http://www.youtube.com/watch?v=gO_Fdc5OP08&feature=related

É preciso agir junto com o que me parece ser a ação mais interessante até então feita nesse governo.

Voltei

Em 25 de setembro de 2003, tirando da poeira os pensamentos que atormentavam a cabeça de um jovem de 20 anos, César Guerra Chevrand com sua bela homenagem, estimulou que esse espaço fosse criado. Sete anos depois, com uma defasagem de 7 meses sem escrever, o mesmo rapaz com traços mais marcados, meu irmãozão, me fez crer que os espaços alternativos, mesmo que pouco lidos, precisam ser construídos e divulgados.

A ideologia de direita grita aos setes cantos, tentando ofuscar os interesses que estão por detrás de sua suposta neutralidade. Precisamos falar mais alto. Precisamos berrar quando falar o imbecil do Arnaldo Jabor, precisamos de um grito que ofusque suas idiotices e posturas de classe.

De forma alguma proponho que seja esse o grito-maior. É apenas o meu estímulo para voltar a escrever pra uma porção de gente, mesmo que pra um bocadinho assim, pequenininho, mas volto a escrever acreditando que a rede de gritos, permitida por essa tecnologia, tem condições de alcançar corações e mentes inquietas com a situação em que vivemos.

Quero compartilhar com vocês, meus camaradas, as questões que me tiram o sono e me abrir para as posições contrárias. Permitir rever-me é algo que tento aprender com Paulo Freire, embora reconheça meus limites diante de uma confusão de interesses que não consigo desvendar. Imagino que seja essa minha maior dificuldade para um diálogo sincero, pelo simples fato de não conseguir discernir o sincero dos interesses obscuros.

Quero permear este espaço de questões não ditas, por mais polêmicas que sejam. Quero me abrir pra pessoas queridas, mesmo que discordem, com o desejo de ser ouvido. Tenho estímulo, talvez, nos escafandristas virtuais, que venham a explorar os escritos internáuticos daqui a mil anos e capturem/vivam o amor e inquietude deixados no ar.

Serei doce e amargo, porque há doçuras e amarguras no que sinto. Penso em distintas pessoas que quero que me leiam, com a certeza que não agradarei metade delas. Preciso aprender a desagradar, embora não seja esse meu objetivo.

segunda-feira, julho 13

Partida

Essa parte da ida
parece não estar no script
no momento do encontro
no conhecer
e no aprofundamento da amizade

Nas noites de dia
Nas praias de noite
Nas lágrimas com sorriso

Parece não fazer parte
dada a infinitude do momento presente

Mas, sim,
é parte integrante do encontro -
faz parte -
parte o peito e interrompe bruscamente,
como um parto.

Que também seja a parte de um novo ciclo,
de uma nova vinda,
de uma nova vida.

Pois é nas vidas que construímos
nessa parte ínfima da história que nos cabe
que se constrói o ser pleno -
feito de distintas partes.

Parte sem deixar partes,
deixa obras inteiras,
deixa saudades,
que se encontra na parte mais bela
do complexo coração humano.

Nessa parte eu não havia pensado,
Até se impor a partida -
parte integrante do reencontro.

sexta-feira, novembro 21

Poema da Lata

A história vivida, contada, encantada, virou sonho.

O sonho vivido, sentido, narrado, virou história.

História e sonho se confundem em outros sonhos e histórias.

Sonho e história fazem nova história e despertam novos sonhos.


Os valores que possuía o sobrevivente da guerra urbana,

Remanescente do que dizem ser a primeira favela brasileira,

Impressionavam o jovem de olhos miúdos,

Que atento às suas histórias e causos,

Energizou suas esperanças de transformação.


Ouviu, sentiu, aguardou o seu retorno,

Quando não esperava mais o reencontro,

Surpreendeu-se com o inimaginável,

Com o desprendimento material de quem nada tem.


Percebeu que mesmo na pobreza,

Quiçá miséria,

Há espaço para valores distintos,

Para entender que há questões que valem mais,

E obviamente isso não provém da miséria.


No dia posterior, com o sentimento à flor da pele,

Relatou para os companheiros que quer ver na mudança pretendida,

Todo o sentimento ali vivido,

Buscava eco.


Como não se controla o que daí resulta,

A história vivida, contada, encantada, virou sonho.

O sonho vivido, sentido, narrado, virou história.

História e sonho se confundem em outros sonhos e histórias.

Sonho e história fazem nova história e despertam novos sonhos.


O homem de valores, roupa preta, pai,

Catador de latas,

Virou sonho.


(Marcelo Ribeiro e Flávio Chedid)

segunda-feira, novembro 17

Parceria Dialética

Fotografei um mundo caô,

Vi que ele era muito cão.

Ao fim,

E antes que a noite acabasse,

Me pus a lembrar

Dos momentos que congelados

Ficaram foto-grafados.


No movimento da vida,

Não há foto-grafia

Que congele o sentimento.


O sentimento existe,

Embora seja outro.

É mais um sentimento de resgate

do sentimento que foi,

o que em si é um sentimento novo.


A saudade transforma o sentimento

Em Sentimento.


Os instantes são únicos

Melhor às vezes esquecer as fotografias,

Deixar a pose,

Mergulhar na vida,

Sorrir com a lembrança

Do instante não congelado.


No ir devir da Maré,

Encontrei novas foto-grafias,

Agora em movimento,

Dançam, balançam, enchem,

Engendram um pensamento

Que incita um novo viver.


O movimento é transformação.


(Wendell Ficher e Flávio Chedid)

sexta-feira, fevereiro 22

Recíproca

Uma profunda vontade de dizer o que vem à mente
Uma necessidade ímpar de compartilhar as angústias vividas
Uma oportunidade única de fundir as vidas,
De fazer dos nossos desejos íntimos,
Segredos.

Embora segredos sejam feitos para ser contados,
A idéia de que teu segredo foi revelado
E, sobretudo, aceito,
Ajuda a suavizar as regras que te foram ensinadas
E que de certa forma ajudas a prosseguir.

Nada, nada, nada no mundo substitui a sensação da reciprocidade
Do amor da amizade.

A admiração quando retornada
Facilita as dificuldades da vida
E retira a importância das deusificações desnecessárias.

Ah, se soubésseis o quanto que vos estimo!
(sem deusificação)
Com uma enorme vontade, quiçá necessidade,
De aceitá-los exatamente como são
(talvez por uma vontade estúpida de diminuir as minhas cobranças).

Tenho certeza da maior fluidez de seus pensasentimentos
(embora alguns já tenham uma fluência excelente),
Quando são tudo que podem ser.

A vontade de tê-los por perto toda vez que sinto o melhor de mim,
Denuncia o amor mais sincero,
Embora haja nesse desejo uma autopropaganda,
O que não acredito diminuir a intensidade do companheirismo aí presente.

Deixando de lado as generalizações
E com uma enorme vontade de declarar,
Tenho ao meu lado doçuras tão belas
Que ao mesmo tempo em que compartilham comigo as amarguras da vida,
Exalam perfume, vontade de entender,
E sonham com o que os que os sabidos da vida consideram utópico.

Mal sabem que a utopia é o não-lugar do presente,
Mas que tem uma influência única sobre o futuro,
Ou não é o futuro construído pelos mesmos seres capazes de serem utópicos?!

Dito o que veio a mente,
Declaro a vocês todo amor que me fazem sentir.

quinta-feira, fevereiro 14

Filha do Paul

A menina Clara gostava dos momentos em que ouvia música e tinha certeza de que o minuto seguinte seria mudado repentinamente. Quando ouvia She´s leaving home sabia que Paul era o homem de sua vida e que a solidão que sentia em seu quarto era compartilhada por ao menos mais uma pessoa nesse mundo. Sentia uma força imensa e alimentava sua coragem ao ouvir a história contada por Paul da menina que saía da casa dos pais depois de viver só por muitos anos.

Após disso, a vida lhe trazia uma dose de realidade que não gostava de sentir, causava desconforto, pois lhe confundia a cabeça. Os papéis não eram tão bem definidos, o que queria não estava tão claro. A única certeza que continuava a ter era de que Paul era o homem de sua vida, pois conseguia caminhar pelos dois pólos que a atormentava. Podia ser tanto a menina que saía de casa como o pai que sentia a dor de sua partida.

Once there´s a way to get back home.

A frase poderia ser dita pela mesma menina, poucos anos depois.


A esperança de ter no fim todo o amor que produziu fazia com que Clara esperasse o fim com uma certa ansiedade. E pensava além, gostava de imaginar que o amor produzido em seu quarto solitário seria sentido e distribuído por alguém como Paul, ou que ao menos chegasse até ele pela inexplicável capacidade humana de transmitir os sentimentos dos quais não sabem a origem.

Clara sabia que se de certa forma avançávamos, isso nada tinha a ver com a ciência, mas sim com a capacidade humana de transmitir os pensamentos e sentimentos que nem sabiam de onde vinham.

Clara sempre sonhava, ao ouvir She´s leaving home, com um pai que desejasse como nunca tê-la.

quarta-feira, outubro 10

O poeta e o poema

Com traços fortes,
Riso frouxo,
E muitos dentes,
O poeta tornou-se um poema.

No centro da Lapa,
No centro da roda,
Vejo-o dissipar alegria não mais com palavras escritas,
Muito menos declamadas,
Mas com a leveza e constância de seu sorriso
E com os ouvidos atentos de quem sabe enxergar o outro.

Sem a necessidade de palavras,
Que emprega como ninguém,
O poeta risonho tornou-se sua melhor obra
E pude observar no mundo em sua volta
O resultado da irradiação de seus versos mais bonitos.

A prostituta,
O bêbado,
A criança,
O músico
E o suposto malandro,
Dançam, tocam e cantam próximos aos arcos,
Sob a regência do poeta.

Eu, também recebendo essa energia,
Descobri que quando o poeta vive aquilo que escreve,
Torna-se um poema
Com uma capacidade extremamente superior de despertar no mundo
A beleza da descoberta dos sentimentos.

quinta-feira, junho 28

Equitativa

E a idéia, quiçá uma ilusão, ou talvez uma pretensão pela dúvida, de que as nuvens, o pôr do sol e o mar não dependem de nós, me fez sentir um desejo enorme de vê-los do lugar mais bonito todos os dias para que eu tenha a esperança renovada cotidianamente para entender que apesar das nossas dificuldades de lidar com as dificuldades alheias o sol continua nascendo e se pondo sem ligar para as nossas crises existenciais.

Por ele mesmo

Enquanto te enterravam no cemitério judeu
do Caju
(e o clarão de teu olhar soterrado
resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção de Botafogo
as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós

(Morte de Clarice Linspector - Ferreira Gullar)

sábado, junho 9

Margem

Eu vivo à beira.

Sou, ou quero ser, um ser marginal.

À margem do supostamente trivial, eu vivo.

Busco a diferença em tortuosos e já conhecidos caminhos.

Nada de novo.

Eu sou uma inovação do velho.

Tento me diferenciar por uma neurose já conhecida,

por uma incesante mania de ser mais,

que quanto mais quer ser, menos é.

Experimento o sonho em dias reais.

Tenho os amigos dos momentos certos,

embora em certos momentos eles não existam.

Choro com filmes sobre humanos,

me emociono com os equívocos de ser.

Sou e esqueço que sou em dias cinzas.

Tenho pequenas emoções que me fazem sentir grande.

Tenho grandes descompassos que me fazem sentir pequeno.

Eu quero ter filhas.

Sonho com a continuidade da vida,

mesmo que marginal.

Dúvida

Eram tantas histórias, com tantos detalhes, com uma sutileza ímpar, contadas minuciosamente, que eu me perguntava: como essa senhora vive tantas coisas se gasta todo seu tempo contando o que supostamente viveu?

terça-feira, maio 29

A Procura

Procurei descansar até terminar o sonho, ignorando que sua razão de ser está em sua infinitude. Tentei por algumas vezes continuá-lo, agarrá-lo, não deixar que a imagem saísse de foco ou que virasse som de telefone. Em vão, levantei para o outro sonho, que há quem diga ser a vida real. Demorei a torná-la um sonho e não há quem me faça desistir, embora por vezes, assim como nos sonhos em que todos concordam ser sonhos, tenha vontade de pará-lo, torná-lo menos intenso, ou ao contrário, torná-lo ainda mais intenso justamente pela sua descontinuidade.

Levantei com uma calma digna dos fins de semana, preparei-me lentamente na busca do que havia perdido há uns meses atrás. Estava calmo, certo de que o deixara em algum livro, caderno, no bolso de alguma calça jeans ou atrás da cama. A calma devia-se ao fato de saber que só achamos coisas, sobretudo quando importante, quando não as procuramos.

No caminho da ilha em que trabalho, tive a impressão de tê-lo encontrado em algumas músicas, mas a estranha fluidez do trânsito, impediu-me de vê-lo como um todo. O espaço em que tento transformar em arquipélago de sonhos por meio do compartilhamento de idéias dos que também ampliaram as suas idéias de sonho é um ambiente também propício ao desfacelamento do sonho contínuo, dividindo-o por conta da racionalidade excessiva ali presente.

Ao chegar no pequeno espaço que divido na ilha, sorri com os rostos expostos dos que há muito transformaram suas vidas reais em sonhos continuados. Os rostos expostos pelo amigo da vida toda, sorriam. Mesmo os sisudos. O amigo da vida toda, que expusera os rostos, encontrava-se angustiado pelo contato excessivo com os de racionalidade excessiva. O procurei para opinar sobre a necessidade de ceder em determinados momentos.

Certas práticas no pequeno pedaço da ilha quase me fazem acreditar na divisão sonho/vida real, mas logo me deparo com as marcas de quem já travou essa luta antes e as acho mais bonitas dos que as faces limpas dos que acreditam ter chegado à verdade.

Saio antes da ilha disposto a encontrar o que havia perdido em uma história há muito travada contra ou a favor da instituição mais antiga então vigente. Dei de cara com faixas, fruto da contemporânea luta que não sei ao certo ser a mesma que travo. Aliás, travo eu uma luta?

Procuro manter a estranha calma da manhã. Ando lentamente pelas ruas do novo bairro em que vivo em busca de novidades. Procuro o que havia perdido em algumas lojas, rostos e telefonemas não atendidos.

No fim da noite, início da madrugada, após voltar de um ritual dos que acreditam na separação sonho/vida real, que estranhamente gosto, procuro mais uma vez a lentidão da manhã, não muito normal pra mim. Procuro em pratos de comida, taças de vinho, páginas de livro e me convenço que só o encontrarei quando não mais procurar.

Descanso com a calma da manhã.

quinta-feira, março 15

Reverência

A esse coração que quer o mundo,
que quer partir e depois juntar tudo
que quer compartilhar todos os sentimentos egoístas,
que deseja companhia quando uma luz se acende
e evidencia toda a estupidez
do ciúmes,
da inveja,
da vaidade,

eu reverencio,
pois é o único que tenho.

sexta-feira, março 9

Pieguice gostoooosa

Hoje o meu dia amanheceu assim:
As palavras finais estão prolongaaaaadas,
Os textos que leio estão tão boniiiiiitos,
A saudade que bate apertaaaaada,
O carinho que cresce comigo.

Estou com aquele olhar vivo dos dias booons,
Sem a vista enevoada dos nem tanto,
Com uma clareza boa do meu sentimento
E sem o medo inútil que paralisa.

A violeta tá floriiiiida,
O quixote imponeeeente
O matin verdiiiiiin
Os miquinhos escondidos.

Hoje eu tô aberto pra balanço!

Desejo indesejável

As garras que te mostro,
O canto que te canto,
Os poemas que te escrevo,
O pranto que a ti confesso
O eu que sou teu

Não são suficientes para que esqueças
o que foi?
O que já passou e só ganha espaço
Porque não é mais?


Ainda bem que não...

segunda-feira, fevereiro 19

Quase 4 meses

E sigo sonhando
e sigo vivendo.

Vivendo sonhando a vida que o sonho me trouxe.

Pra ele acendo uma vela.

Andressa

Não mais que 9,
menina.

Com a toalha sobre os ombros,
evita a dor que o peso das bebidas
pode causar em sua coluna de
menina.

Aprende rapidamente a dissuadir
e facilmente esconde a sua face de
menina.

Menina,
não mais que 9,
sonha com o dia em que a tratem como
menina.

Em que não mais precise
usar as forças que não tem
para sustentar o peso das latas
que destróem a sua coluna de
menina.

Faz doer a minha alma
pela possibilidade de ser
a minha menina,
que antes dos 9
se utiliza de uma toalha
para diminuir a dor
que não sabe ser causada
pela frieza dos que não entendem nada de
meninas.

Só sentimos por conta da possibilidade de vivermos,
se é que me entendem.

sexta-feira, fevereiro 9

Dorme

Quando dormes, pareces o anjo que imagino
Quando acordas, és a mulher que desejo
Quando desejas, sou o homem que queres
Quando queres, nem sempre te satisfaço.

Diferimos em número, gênero e grau
Assemelhamo-nos em número, gênero e grau
És singular quando sou plural
Sou plural quando és singular.
Por vezes convergimos.

Se queremos de nós algo maior,
Se queremos dar fruto a outro ser,
Precisamos convergir na divergência
E buscar nos dias tortos,
A congruência de nossos passos tortos.

Não sei o que nos espera,
Além de uma lembrança eterna,
De um carinho gigantesco
E de um amor já sentido
Que nunca se “dessente”.

Seja lá o que for, meu bem,
Seja lá quem encontremos nos blocos
E o que o for acontecer,
Já te amo para sempre.

Poucos entendem o para sempre,
Mas certo de que sabes
Que certos sentimentos são eternos,
Por mais que momentâneos,
Deixo-te em paz,
Na calada da noite,
Pois assim a vida te quer.

Doce, suave, áspera, fogosa,
Cínica.

Te amo!