sábado, junho 18

Minha menininha azul

Repetitivo, repetitivo, repetitivo. Três vezes repetitivo. Mas, poxa, isso é uma das coisas mais lindas que já ouvi, senti, cheirei, vi e falei também. Na voz da Janis, que parece saber exatamente como a menininha se sente, Little Girl Blue.

Sit there, hmm, count your fingers.
What else, what else is there to do ?
Oh and I know how you feel,
I know you feel that you're through.

Oh wah wah ah sit there, hmm, count,
Ah, count your little fingers,
My unhappy oh little girl,
little girl blue, yeah.

Oh sit there, oh count those raindrops
Oh, feel 'em falling down,
oh honey all around you.
Honey don't you know it's time,
I feel it's time,
Somebody told you 'cause you got to know
That all you ever gonna have to count on
Or gonna wanna lean on It's gonna feel just like those raindrops do
When they're falling down, honey, all around you.
Oh, I know you're unhappy.

Oh sit there, ah go on, go on
And count your fingers.
I don't know what else, what else Honey have you got to do.
And I know how you feel, And I know you ain't got no reason to go on
And I know you feel that you must be through.
Oh honey, go on and sit right back down,
I want you to count, oh count your fingers,
Ah my unhappy, my unlucky
And my little, oh, girl blue. I
know you're unhappy,
Ooh ah, honey I know, Baby I know just how you feel
(Lorenz Hart, Richard Rodgers )

quinta-feira, junho 16

Com licença(,) Crica

(...)
Amor de sede,
pode ser
desde que seja
Amor(,) que ceda!
Amor(,) que seja!
Amor de seda.

Meia bomba

Se você só pudesse enxergar metade das nucas,
sentisse apenas metade dos beijos,
ouvisse a Janis pela metade,
cheirasse só meios cabelos
e
cantasse só cadê teu suin?

Qual metade você escolheria?

Por milênios

Nada é em vão
Em vão, só o nada

Tudo fica suspenso
No ar
Ou imerso
No mar

quarta-feira, junho 15

Só sei que é assim

O Roger Waters volta ao Pink Floyd e durante os 4 últimos dias o Roberto Jefferson foi capa do Globo!

Bye Bye, Baby Bye Bye

E com a Janis gritando suavemente e esperneando veludosamente nos meus ouvidos, eu dou um tchau, dois tchaus, três tchaus, bye bye bye, pra esse compromisso idiota que travei com a tristeza!

Tristeza querida,
sinto-lhe dizer
que não te amo mais.

Me fizeste companhia,
eu sei,
mas tudo acaba um dia.

Teu amor era egoísta!
Eu sei que a criei,
errei,
Só peço que não insista.

Agora eu parto,
em diversos pedaços,
cada um vai para um lado
e nenhum ao teu encontro.

You know I´ve got a go!

Bye Bye! Baby, Bye Bye.

segunda-feira, junho 13

É

É, Sarcé,
a vida não é pra ser vivida pelo que foi ou pelo que será,
mas pelo que ela é.

E o que ela é?
Não é um pouco do que foi e outro pouco do que será?
Será?
Sim, sim, mas o tanto que ela é tem que ser percebido no "é" e não no "será".
Muito menos temos que viver o "é" como o que "foi".

A vida é o que é. O que é o que é?
Diga lá, meu irmão.

I don´t care if it hurts

Os práticos,
Já apresentados aqui,
Procuram alguém que lhes dê pouco trabalho.

Eu,
Fartamente exposto aqui,
Procuro um amor desembestado,
Como um cavalo afobado -
Não me importo se for pangaré -
Acho charmoso até.

Pode ser estabanado,
Amor errado,
Menosprezado,
Amor barato – a mesma referência de sempre.

Pode ter rugas – referência nova –
Verrugas,
Varizes
E celulites.

A sorte de um amor tranqüilo – mais referência -
Não pode ser confundida
Com a morbidez de um pseudo-amor prático.
(Também quero que meu pangaré pare pra beber água)

Amor de sede,
Pode ser,
Só quero que seja.

domingo, junho 12

E de beleza também

Poxa,
Eu sei que era pra rir,
Mas não é choro de tristeza
E, sim, de estranheza.

quinta-feira, junho 9

Ouçam com cuidado e atenção

Mas isso é tão bonito, deixe chegar, deixe passar, respeite, aceite, nunca o nunca e lutemos.

Não quero sugar todo seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer

Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor

Ah! Mainha deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Ah! Neguinha deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração
Não me diga nunca não

Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valham dramáticos efeitos
Mas o que está depois

Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor

(Nosso estranho amor- Caetano)

Coisas dessa vida tão cigana

Se tremem
Não tremem em vão
Deve ter um motivo
Medo ou paixão
Medo da paixão
Ou paixão pelo medo
Seja lá o que for
- Esse pavor ou ardor –
Não lhe deixe causar dor
Beba-o suavemente
Como um taça de vinho
De São Clemente
Só pra rimar
E plagiar
E rimar de novo

Histórias de Minas - Seleta

A história é bonita, gostaria até de acreditar, beberia com mais prazer. Porém, sei bem quem tá do lado de lá! Hipócritas!

“Antônio Rodrigues é um homem obstinado, totalmente devotado à cana e ao alambique. Ele é o homem que escuta o cantar do canavial. Ajudado pelo vento e pela fantasia ele percebe que a hora chegou. Hora de moer o milho para a fermentação. Hora de lubrificar a moenda. Antônio vive ao norte de Minas, quase Bahia, numa cidadezinha encravada em um vale árido e quente. Salinas é conhecida por sua cana incrivelmente doce de onde se extrai uma magnífica cachaça, feita por homens que não se dobram à inclemência do clima. Acompanhar Antônio caminhando entre seus tonéis é um privilégio. Ele escolhe a madeira e constrói cada tonel com enorme dedicação, já que de lá descansa a sua incrível cachaça, que serve orgulhoso. Das fazendas Olaria e Sobradinho saem as cachaças que se tornaram símbolo da região. Esperamos que ao provar a cachaça de Antônio você possa lembrar que nos confins do nosso país existem pessoas tão especiais como o homem que escuta o canavial”.

quarta-feira, junho 8

Louca

Moça,
Não foi só na minha cabeça.
Ficaste também na minha boca.

domingo, junho 5

Só mais unzinho...

"Acontece que estou cansado de ser um homem". (Pablo Neruda)

E mais

"O amor é tão curto
Esquecer é tão longo".
(Pablo Neruda)

Mais Carteiro e o Poeta

"Se pouco a pouco você deixou de me amar,
Eu deixarei de amar você pouco a pouco".
(Pablo Neruda)

O Carteiro e o Poeta

Sobre as referências musicais e literárias que muitos não gostam ou não entendem:

"A poesia não pertence a quem a escreve, mas àqueles que precisam dela". (Frase do carteiro)

sábado, junho 4

Cecília

Já se conheciam e se amavam há 22 anos. Há 22 anos que se conheciam e se amavam. A rotina, por vezes, atuava e disso se esqueciam (ou seria o esquecimento, unilateral?), mas quando lembravam...Ah, quando lembravam!

Num dia desses de lembranças, permitiram às lágrimas, rolar (ou era só ele que não permitia normalmente?). Olharam-se de lado e pensaram: “eu sei que a gente se ama muito, é que, às vezes, é preciso resistir pra que andemos com nossas próprias pernas” (será que foi só ele que pensou isso?).

Foi uma declaração à distância, uma declaração pelo olhar. Não foi preciso um beijo ou um abraço. Os olhares cansados e marejados disseram: “eu te amo desse jeito, não preciso fazer estardalhaço” (porra, será que foi só ele que pensou isso tudo?).

Ela sabia tudo que ele pensava, mas tudo mesmo, inclusive esses pensamentos tolos sobre a unilateralidade. Pensou e pensou tão alto que ele ouviu: “te olho, te guardo, te sigo, te vejo dormir”.

sexta-feira, junho 3

Nobody Knows

Ah, sexta feira! Seria pena esperar em vão! Hoje eu quero fazer o meu Carnaval! O Chico, sempre o Chico, completa:

"Amanhã ninguém sabe
Traga-me um violão
Antes que o amor acabe

Amanhã ninguém sabe
traga-me uma morena
antes que o amor acabe

(...)

Eu quero cantar o amor
antes que o amor acabe"

(Amanhã Ninguém Sabe)

Mas eu digo venha

"O que quer que eu diga, você não vai entender".

"Eu não sei dizer
o que quer dizer
o que vou dizer
eu amo você,
mas não sei o que
isso quer dizer".

(Zeca Balero - Lenha)

terça-feira, maio 31

Poema em Linha Torta

O que que se faz com o já feito?
Me diga:
O que que se faz com o desfeito?
Com o imperfeito?
Com o teu jeito?

O que que se faz com o defeito?
Me diga:
Onde ficam escondidos os defeitos dos perfeitos?

Ah, os perfeitos!
Será que só Pessoa que era vil, mesquinho e infame?
Vai, me diga:
Será?
Onde está?

Cadê o teu preconceito,
Teu pensar estreito,
Tua bunda de fora?!
Mostre, vai!
Sentirá-se melhor.
E eu também!

Sábia e Reflexiva Dona Uda 2

Ao saber que os homens descendem do macaco e não de Adão e Eva:

"Caramba, bem que eu percebo que algumas pessoas são bem parecidas com macaco. O filho do Miltinho é igualzinho a um miquinho".

Sábia e Reflexiva Dona Uda

"Cada pensar é diferente".

Be Atriz Intrépida

Ah, isso é uma das coisas mais belas que alguém já fez.

Olha, olha! Será? Será que o tempo passa? Será que eu posso não andar com os pés no chão? Será que é divina? E se ela um dia despencar do céu? O que fazer com os pagantes? O que fazer comigo? Me leva pra sempre, vai. Me leva nessa máquina do tempo. Será que o tempo realmente passa? O tempo como grande estrela no anfiteatro, modelando o artista ao seu feitio com seu lápis impreciso" (O tempo e o artista).

“Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Diz quantos desastres têm na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz”.

(Beatriz – Chico na voz do Milton)

sábado, maio 28

Ué 2

-Pô, cara, não quero mais ser flanelinha não. Descobri o que quero.
- O que?
- Pô, quero treinar o time mirim lá da comunidade.
- Por quê?
- Pô, lembra do Gabina, cara? De como a gente gostava dele?
- Sim, lembro.
- Pois é, quero que aquela garotada goste de mim daquele jeito.
- Mas isso não dá dinheiro. O Gabina não recebia nada.
- Não?
- Não, ué.
- Porra, cara. Você tá sempre estragando meus planos com os seus "ués". Ainda te enforco nessa gravata aí!

Oração pro Coração

Se um dia tu soubesses
Tudo que me passa
Farias uma prece

quinta-feira, maio 26

Plásticos práticos

Os práticos mentem
Prática não é a vida
e nem o que eles sentem

segunda-feira, maio 23

Com sotaque

Entre Poconhoncas e Piritina,
ficava Potora,
Poconhoncas do abacate,
Potora da amora.

Em Piritina, perdeu as botas,
em Potora, as meias,
em Poconhoncas, as veias,
em Jubiruba, as teias.

Teias de aranha,
cidade chafariz,
o povo jubirubense
só pretende ser feliz.

Feliz no chafariz,
chafariz que vem de cima,
versos infantis,
com pingos que molham
os cabelos e o nariz.

A luz de gás néon,
mergulhada na água com açúcar,
dá o tom.
A pedra machuca,
a onda relaxa.

Relaxa tanto,
que queria ser onda
pra fazer relaxar,
apesar da turbulência.

E lá de cima, os aviões avistam os navios.
Ou seria o contrário?

domingo, maio 22

Ué

- E aí, como andam as coisas?
- Estou começando minha vida profissional.
- Ah, é? Em que?
- Flanelinha.
- Flanelinha?
- É, flanelinha. Dá dinheiro.
- Ahh..
- O que foi?
- Nada, ué.
- Ué porquê?
- Ué, só falei ué.
- Ihhh, falou ué mais duas vezes. Qual o problema?
- Nada, ué.
- Porra, vai tomar no cú com o seu ué! O que você anda fazendo?
- Tô trabalhando naquela empresa de computação.
- Ah é, de gravata?
- Não, não. Normal.
- Normal como?
- Normal, ué.
- Porra, vai se fuder! Ué de cú é rola!

sábado, maio 21

Pastelão

A prisão da sua verdade
nada mais é senão
saudade

Minha comitragédia é bonita.
não acha?(!)

sexta-feira, maio 20

Apple Pie

Andando em linhas porcas,
em tortas de maçã,
por portas sem maçanetas.
Linhas tortas maçantes!

Linhas porcas traçantes!
Rastejantes, humilhantes,
deploráveis, infindáveis.

Novas linhas marcantes,
esperando a esperança
que resta na lembrança.
Lembrança de criança.

Linhas novas cativantes!

terça-feira, maio 17

Don´t leave me cry

Já quis ser música, desejo complicado, acreditando dessa maneira evitar sofrimentos. Que bobeira, isso foi antes de perceber que certas músicas sangram, Gonzaguinha sabe bem. Hoje peço menos, quero ser apenas um falsete prolongado, um falsete de “high and dry” ou “fake plastic tree”.

“Don´t leave me high, don´t leave me dry”. “Kill yourself to never ever stop”. "She tastes like the real thing, my fake plastic love". "If I could be who you wanted all the time..".

Acho que esse desejo esdrúxulo surge da vontade de prolongar alguns momentos da vida como em um falsete. Falsete real. A interrupção abrupta que, por vezes, é falsa. Prolongamentos, como em falsetes, seriam mais reais, acho eu. Em certos casos. Ahhhhh....

sexta-feira, maio 13

Sintoniza aí!

A Rádio Brega “Cordão de Pérolas” está de volta com mais uma música arrebatadora, emocionada, exagerada e rasgada como a vida deve ser.

O trecho abaixo se repete na música, mas gostaria de deixar claro que me refiro à parte em que a Montserrat canta e o Freddie Mercury repete o que ela diz, parecendo bastante com as traduções do “Good Times 98”.

Que voz! Caralho voador!

How can I go on
From day to day?
Who can make me strong in every way?
Where can I be safe?
Where can I belong
In this great big world of sadness?
How can I forget
Those beautiful dreams that we shared?
They're lost and they're no where to be found
How can I go on?

(Freddie Mercury)

quinta-feira, maio 12

Idéias Cazuzianas

Parto do ponto de partida de que há dois partos:

o parto da parida e o parto da partida!

terça-feira, maio 10

Poema Velho

Sem canto,
meu canto
quer um colo
pra deitar.

Me encanto,
enquanto
controlo
esse lugar.

Sem manto,
nem santo,
peço um tango
pra dançar.

Seu pranto
diz tanto,
que me espanto
em pensar

Seu mudo,
diz tudo,
contudo
já não dá.

domingo, maio 8

Lá na Coppe...

Já duvido de qualquer um que queira me explicar os mecanismos da vida, seus paradigmas, questões mais importantes, questões universais, questões gerais. Não há intelecto humano que capte as particularidades presentes em cada um. Não há questões gerais, universais, acho eu.

Agora, duvido ainda mais de quem quer fazer isso usando a calça acima do umbigo. Aí não dá, sai de casa!Larga os livros! Ajeita essa calça!

sexta-feira, maio 6

Criança Esperança 2005

Tão longe de mim
So far away from me
Tão próxima de mim
So close to me

Não faz idéia do quanto
do tanto
no manto
esperanto

esperança
criança
lambança
matança

Na central
deu no jornal
morreu
escafedeu-
se

sê
criança lambuzada
matança esperada
ou seria esperançada?
Imaginada?

Imaginem só
nenhum paraíso, nenhum inferno
Muitos Lennons!
Sem matanças esperadas
só crianças lambuzadas

terça-feira, maio 3

No butecão da feira:

Brincando com o poema do Mario Quintana:

todos esses que aí estão
comendo salmão e tomando vinho,
eles passarão...
eu frango à passarinho!

segunda-feira, maio 2

Precisa-se de um novo

Obrigado a presenciar o sucumbimento do nível do futebol brasileiro (o jogado aqui), a ponto de não aguentar ver um jogo do meu flamengo por mais de 10 minutos e de querer estar cada vez mais longe do Maraca, eu fico com as palavras do Drummond. Atenção especial para a parte em negrito. Que coisa bonita!

"Se há um deus que regula o futebol,
esse deus é sobretudo irônico e farsante,
e Garrincha foi um de seus delegados
incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios.

Mas, como é também um deus cruel,
tirou do estonteante Garrincha
a faculdade de perceber sua condição de agente divino.
Foi um pobre e pequeno mortal
que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas.
O pior é que as tristezas voltam,
e não há outro Garrincha disponível.
Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."

Carlos Drummond de Andrade

sábado, abril 30

O grande picadeiro - certezas e incertezas

Passada a euforia, veio o medo. Passada a calmaria, veio uma calmaria ainda maior. Isso assustou, claro.

- Que medo é esse, rapaz?
- Não sei, não sei. Talvez seja desculpa pra um abraço ou um consolo.
- Consolo? De quem? Você precisa disso? Um abraço eu te dou, pô.
- Sim, claro. Seu abraço é sempre bom. Mas a gente valoriza pouco o que a gente já tem, né? Desculpa dizer isso, mas talvez precisasse de um abraço que não tenho como certo, entende?
- Tá, vou te dar menos abraços daqui pra frente.
- Você entendeu o que quis dizer, porra!
- Sim, entendi. Mas o tal abraço é de alguém específico?
- Sim, de alguém que não tenha como certo.
- Porra, agora você que tá de palhaçada. Você entendeu a minha pergunta!
- Não sei, não sei, talvez. Me sinto tão idiota.
- Também sinto isso a seu respeito. E que papo era aquele de consolo?
- Porra, pára de me lembrar as merdas que eu digo. Me sinto ainda mais idiota.
- São dessas que você tem vergonha que você precisa lembrar, falar.
- Por quê?
- Escondem algo.
- Pára de se fazer de entendido da vida. Você e suas fórmulas, lógicas, certezas.
- É, mas a gente precisa delas. Dá medo não ter nada como certo.
- Agora é você que tá com medo? Medo das coisas incertas? Largue suas certezas, meu caro.
- Agora eu que estou me sentindo um idiota.
- Também sinto isso a seu respeito nesse momento. Engraçado que me sinto melhor depois da sua insegurança revelada.
- Escroto.
- Eu sei, eu sei. Não conseguimos viver sem nenhuma certeza mesmo, mas os maiores prazeres da vida vêm das coisas incertas, inesperadas. Não é?
- É, eu sei. Mas não dá pra esperar algo inesperado. Isso angustia.
- A falta de certezas?
- A falta de perspectiva.
- A falta de certezas, é a mesma coisa.
- Tá, e daí?
- Agora eu que me farei de entendido da vida e te garanto que você pode esperar por algo inesperado.
- Mas quando?
- Porra, aí você quer muito. O inesperado não pode ter dia certo. Seria esperado.
- Você gosta das coisas incertas, né? O meu abraço, dito “certo” por você, não tem o mesmo valor.
- Deixa de ser melodramático, porra. Aquilo foi uma frase momentânea. Se não tivesse o seu abraço, sentiria muita falta. Como posso sentir falta de algo que tenho, porra!
- Você precisa sentir falta das coisas?
- É, parece que sim. Que idiota que sou, mas o que posso fazer?
- Ria, ria de si mesmo. Ria de mim mesmo. Isso aqui é um grande circo mesmo.
- Boa, sinto você menos idiota agora. Me dê um abraço.
- Mané!

quinta-feira, abril 28

Cesarceando

No dia 28 de abril
de 1979
nasceu o menino
que quando pede
chove

No dia 28 de abril
ao invés de chorar
ele riu

Riu da cara do médico
que não entendia
porque naquele dia
a galera aplaudia

Aplaudia da geral
com o anúncio do placar
que voltou a funcionar
só pra avisar

Que no dia 28 de abril
nasceu o Sarcé
filho do Maraca
neto da Marica

Hai-Kayzeando

Mané por mané
Eu fico com o meu
O Sarcé

terça-feira, abril 26

Olê Olá

Um ranger de dentes,
Um grito preso,
Uma chuva de meses,
Uma música triste.

Morde,
Berra,
Molha,
Chora.

Outro ranger de dentes,
Um grito solto,
A chuva no corpo em riste,
Outra música triste.

Trinca,
Geme,
Goza,
Bebe.

Beba a música.
A dor morreu de velha
E na estranha falta dela,
Chore.

segunda-feira, abril 25

Vida líquida em liquidação

Líquidos transbordantes seriam apenas líquidos transbordantes se não contivessem parte da liquidez transbordante humana. Diz o Aurélio que os líquidos sempre tendem a tomar a forma dos recipientes que os contêm.

Não possuem forma própria?! O Seu Aurélio não levou em consideração os líquidos transbordantes e lacrimejantes que saem dos olhos humanos e representam as suas vulnerabilidade e liquidez. Qual seria o recipiente que os contêm? Depois de transbordarem talvez o ar, o chão, o pedaço de papel, o teclado do computador.

Mas e os líquidos transbordantes que não transbordam? Falo dos que têm potencial para tal, mas não o fazem por circunstâncias diversas, como a falta de coragem ou a falta de oportunidade. Será que esses também podem ser considerados líquidos transbordantes? Talvez, sim, só não são líquidos transbordados. São líquidos somatizados, talvez.

Bom, tô perdendo o foco que na verdade nunca tive. Mas estava tentando argumentar que alguns desses tais líquidos transbordantes possuem forma sim. Muitas vezes possuem até endereço, rg e cpf. Outros talvez não possuam mesmo, mas não acredito que tomem a forma dos tais recipientes que nem sei quais são. Digamos que seja o teclado do computador. Não consigo imaginar um líquido transbordante humano com formato de teclado de computador.

Bom, isso não interessa. Líquidos transbordados, líquidos liquidados representam a liquidez humana. A capacidade de transformar ativo em dinheiro?! Não, Aurélio, liquidez no sentido molengo da palavra. Representado talvez a tentativa humana de se adaptar aos recipientes que os contêm. Terra dura, coração mole. Líquidos liquidados na tentativa de tornar a terra menos dura ou o coração menos mole. Ou então de fazer com que o coração mole sobreviva na terra dura, que no caso é o recipiente que nos contêm.

Ah tá, entendi, Aurélio, a primeira definição até que fazia sentido.

quarta-feira, abril 20

Why don´t we do it in the road?

Vocês bem viram,
riram,
observaram,
congelaram,
flagraram
e
perceberam o que acontece
quando aquele menino adoece.

Fica com uma cara de bobo,
um sorriso maroto,
um olhar idiota,
uns pensares banais.

Pensa em pular de pára-quedas,
transar em via-pública,
ouvir roupa nova
e gritar pra todo mundo ouvir.

Quando acaba, diz que não quer mais,
que igual aquele nunca mais será,
diz que só quer paz
e que aquele olhar idiota ninguém mais verá.

Quando retorna, parece que não foi,
parece que ali sempre esteve
e que a volta dessa cara de bobo
faz parte de sua vida.

Trata-se de um problema clínico,
cíclico,
que aquele menino cínico
cisma em dizer que é amor.

sexta-feira, abril 15

Versos Escaralhados

Sinta, mas não explique.
Minta, mas não revide.
Acredite, Cazuza existe.
Rime, mas nem tanto.

Seja o que não foi,
Quando queria e não podia,
Quando podia e não queria

Queira quando quiser,
Possa quando puder.
Respeite os versos verdadeiros
Por mais cretinos que sejam.

Descubra-os,
O que é o mais difícil
No meio desses edifícios

Encontram-se embaralhados,
Escaralhados, amontoados.
Cabendo a você e somente a você
Desescaralhá-los.



PS: Cris, o verso "rime, mas nem tanto" eu roubei de você. Achei bom. Podia?

quarta-feira, abril 13

Entrega

“Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando. Coração na boca, peito aberto, vou sangrando. São as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando.

Quando eu abrir minha garganta, essa força tanta. Tudo que você ouvir esteja certa, estarei vivendo. Veja o brilho dos meus olhos e o tremor nas minhas mãos. E o meu corpo tão suado, transbordando toda raça e emoção. E se eu chorar e o sol molhar o meu sorriso, não se espante, cante, que o teu canto é minha força pra cantar.

Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda, é apenas o meu jeito de viver o que é amar.”

(Gonzaguinha-Sangrando)


Caralho! Caralho! Caralho voador! Que música bonita, que cara foda!

Putz, que inveja, como eu queria ter escrito essa música, sobretudo a última frase. É tão sincera, poética e de uma humildade sem tamanho. Não há definições sobre o amor, é exatamente isso, há formas de amar, ou melhor, formas de viver o que é amar. Puta que pariu! Tô desbocado mesmo!

E o nome da música é perfeito. A música sangra, essa música sofre, nega meu post anterior. Essa é uma música que sofre! E ao mesmo tempo liberta. Ela sangra e grita: “ Puta merda, não me venha dizer o que é amar”.

Salve, salve Gonzaguinha!

segunda-feira, abril 11

Somos uns manés mesmo!

Beatriz, Cecília, Carolina, Luiza, Lígia, Michelle, Julia, Amélia, Rita, Rubina, Andrea, Natália, Nathalie, Leila..... Infinitas músicas com nome de mulher.

Os homens são muito bobos, né?

Procurei, vasculhei, pensei e não encontrei uma música cuja compositora tenha dado o nome de um homem. A única que encontrei foi Maurício, música 8 dos quatros estações. Feita por um homem para um homem.

Essa mulherada não tá com nada!

domingo, abril 10

Hoje eu queria ser uma música

Hoje eu queria ser uma música, sabe? Daquelas bonitas, fortes, que fazem você chorar sem saber o porquê. Daquelas que sem entender a letra, você sabe o que quer dizer. Não precisa ser complexa. Letra simples, inteligível ou não, e melodia simples. Eu tenho a impressão de que as músicas, por mais tristes que sejam, não sofrem. As músicas não sofrem. Hoje eu queria ser uma música. Queria poder causar sentimentos diversos nas pessoas sem sofrer as conseqüências, sabe?

Egoísta? Sim, sim, muito. Eu e as músicas. As músicas são muito egoístas e ninguém cobra nada delas. Muito menos elas mesmas, músicas não têm superego.

Então, queria ser uma música pra poder ser egoísta sem que me cobrassem nada. Ou melhor, sem que me cobrássemos nada. Ficou claro isso? Acho que não, mas as músicas também não têm essa preocupação, não precisam ser claras, podem ser escuras também. A vida de música é muito boa, cara. Elas não precisam trabalhar, não precisam ser complexas, não têm superego, podem ser egoístas, escuras e ainda por cima ninguém cobra nada delas. Hoje eu queria ser uma música e não me preocupar com as interpretações. Ninguém culpa uma música por ter interpretado algo. No máximo o compositor, mas a música fica lá, intocada. Porra, vida de música é muito boa.

Hoje eu queria ser uma música, mas não uma música de um compositor só, sabe? Queria ser uma música composta por muita gente, porque essas músicas de um pai ou mãe só são muito mimadas.

sábado, abril 9

Monólogo

Sabe aquela música?
Como assim qual?
Aquela! Aquela que falava de como as coisas se esvaem..
Não lembra?
Pena...
Deixa pra lá. Era bobeira.
Onde?
Na rede.
Qual rede?!!!
Não, claro que não é na Internet. Uma rede de verdade.
Também não lembra?
Pena...
Não, não se preocupe, nem precisa se desculpar. Pena pra você, não pra mim.

domingo, abril 3

Amor mimado

Era tão bonita, mas tão bonita, tão doce, tão especial, tão inteligente, que queria compartilhar a admiração plena que tinha com todos amigos próximos. Tentava explicar e não obtinha os êxitos desejados. Uma já conhecida mania de não conseguir compartilhar consigo mesmo os prazeres que a vida o dava. Precisava dizer, precisava gritar, berrar, espernear. Sempre fora mimado, amado, mimado amado, quase sinônimos, tratando-se de amor-mimor materno.

Racionalizava, mas não resolvia. Continuava tentando fazer que enxergassem por meio de palavras. Não era possível. Suas palavras não poderiam ser belas como tão fina flor. Precisava fazer com que a vissem. Não haveria erro. Diante de tamanha beleza e doçura não exitariam.

Pois exitaram. Não enxergaram o sorriso doce, dissimulado, escondendo uma inocência já vivida. Não perceberam o olhar, que fingia ser sério para tentar disfarçar a beleza que a vida a ela reservara. Não podia esbaldar, tão próxima a tamanha miséria e mesquinhez, todo o seu talento.

Mesmo quando ela não dissimulava – ele a conhecia bem - não conseguiam perceber que o que dizia era a mais pura verdade - a beleza da vida materializada. Não, não. Simplificavam tudo, racionalizando com seus estúpidos métodos de conhecer a vida e as pessoas. Eles não sabiam nada porque não sabiam nada. Entenderam? Nunca souberam nada. E não saber nada implica em não saber nada. Isso só muda se um dia souberem alguma coisa. E se vocês guiarem-se pela lógica formal, perceberão que eles nunca saberão nada. Entenderam?

Deixa pra lá, o que importa é que percebera que só ele a via como era. A via como merecia. Ninguém mais. Não queria terminar com um ditado popular, nem na forma, muito menos no sentido. Nenhum preconceito, apenas piegas demais. Mas tivera a certeza de que apenas seus olhos eram capazes de enxergar o óbvio. Óbvio apenas para ele. Seus olhos viam e de tanto ver, tornaram-se tão doces como o olhar cruzado, dissimulado, doce, com a inocência já vivida escondida. Reteve toda aquela beleza e não se satisfez. Achou que seria capaz acumular mais e mais e mais e mais....Achou, amou, mimou, quase sinônimos tratando-se de amor-mimor platônico.

domingo, março 27

Mar adentro 3

"Quando você depende das pessoas pra tudo, você aprende a chorar sorrindo".

Mar adentro 2

"O amor não se racionaliza. É amor e ponto."

Mar adentro 1

" A pessoa que me ama é a pessoa que me ajudará a morrer"

quinta-feira, março 24

Nem tão leve

Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde

(Mais Chico - Trocando em Miúdos)

quarta-feira, março 23

Recorte e Colagem

Antes que dissesse não,
Arrasou o seu projeto de vida.

Trechos

Nenhuma lágrima derramei por você
(Chico- Lágrima)

Pensou que eu não vinha mais, pensou(?) *
Fechou o tempo, o salão fechou(?)*
Mas eu entro mesmo assim
(Chico - De volta ao samba)
*Idéia do parentêses copiada do teimosa aqui

E assustada eu disse não(...)
(...) Se instalou feito um poceiro dentro do meu coração
(Chico - Teresinha)

E antes que eu dissesse não
(idem, porém merece estar destacada)

Quem não a conhece, não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece, não pode reconhecer
(Chico - Quem te viu, quem te vê)

Você só dança com ele e diz que é sem compromisso
(Chico - Sem compromisso)

Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
(Chico - Basta um Dia)

Arrasa o meu projeto de vida
(Chico- A Rosa)

Com outros homens, ela só me diz
Que sempre se exibiu
E até fingiu sentir prazer
Mas nunca soube, antes de mim
Que o amor vai longe assim
(Chico-Aquela Mulher)


Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais(...)
(...) Te perdôo por te trair
(Chico-Mil perdões)

Agora era fatal que o faz de conta terminasse assim
(Chico - João e Maria)

domingo, março 20

Baby, We can change the world

Precisamos almejar um papel mais importante nesse filme sem diretor legítimo. Não quero ganhar o Oscar de ator coadjuvante, muito menos quero ganhar o Oscar, falo disso mais tarde. Precisamos ser protagonistas, meu caro amigo. E isso depende apenas da gente. É preciso escolher uma das infinitas possibilidades da vida. Por que não escolher a via do bem?

Quanto ao Oscar, já passei dessa fase, sabia? O que me estimula não é mais o prêmio, e sim poder usufruir das vantagens de viver num filme bonito. Um filme bonito pra caralho. Essa vai ser a minha recompensa, essa vai ser a nossa recompensa.

Não vamos esperar o grande momento pra mudar não, não há o grande momento. Há grandes momentos! Vamos mudar a partir de agora, nas pequenas coisas, nas pequenas atitudes, nos abraços, nos sorrisos e até nas lágrimas. A gente muda o mundo com as nossas lágrimas, eu acredito nisso!

Há por toda a parte demosntrações de sentimentos incríveis. Músicas, filmes, conversas. Por que não são eles que ficam?

Sabe qual é a minha hipótese? Eles não ficam porque estamos sempre revidando as porradas que tomamos, que por sua vez, são revides também. Ninguém mais sabe quem começou tudo isso, não há mais um executor. Há apenas porradas sendo rebatidas. Precisamos parar de rebatê-las. Não, não seremos manés por isso. Precisamos ser mais espertos, meu caro. Acho que você já assimilou isso bem.

Precisamos tomar todo o cuidado, mas todo o cuidado mesmo para não embrutecermos. Não podemos perder a ternura nunca. Essa é a mudança. Não revidaremos, não há uma guerra, acho eu. Não acredito mais nessa guerra, acho que estão todos revidando o tempo todo, lutando contra inimigos invisíveis. Não adianta eliminá-los, seria uma auto-destruição, entende? Precisamos mudar o dia a dia e acho que isso você já faz bem, precisamos de mais pessoas que pensem e ajam assim. Confesso que ainda tenho um longo caminho a percorrer, o revide, por vezes, é automático.

Vamos usar nossa razão, racionalidade segundo os fins. Os fins não justificam os meios, os meios influenciam os fins, não dá pra dissociá-los. A utilização dos meios são justificadas pelos fins almejados. Queremos ternura, ajamos com ternura. É simples, racional. Por vezes não a receberemos de imediato, é um trabalho a longo-prazo que os seus e meus filhos e netos devem continuar.

Um abraço, se cuide, aja duas vezes antes de pensar, como sugeriu o Chico. E que não embruteçamos nunca!

quinta-feira, março 17

O Quatrilho

São quatro dias
e
quatro noites
de quatro
no quarto quadrado.

Chorando pela quarta vez
por conta da quarta mulher
que há quatro dias
o deixara de quatro.

Lembrou, porém, que na quarta passada
ele que a deixara de quatro
no quarto quadrado
e que
ela, na quarta vez,
desejou ficar de quatro
por mais quatro dias e quatro noites

Ele, um cara quadrado,
logo esqueceu
do que acontecera quarta no quarto
e voltou a ficar de quatro por mais quatro dias e quatro noites.

sexta-feira, março 11

Para (Na)Ty

Para bens,
Para males,
Por favor,
Não te abales,

Não me peça,
nem me impeça
de dizer-te
o mínimo
possível, cabível, publicável.

Para bens,
Para males,
Parabéns!

quarta-feira, março 9

Lógica Nebulosa

Ela desliga, eu ligo.
Ela acende e eu apago.
Ela mente, eu trago.
Ela leva e eu pago.

Ela acredita, eu não.
Ela duvida, eu sim.
Pede passagem, pois não.
Pede que eu pare,
enfim.

Eu levanto, ela deita.
Ela reclama, eu rio.
Fico elétrico, esqueça.
Ela quente, eu frio.

Eu acordo, ela dorme.
Ela sonha, eu também.
Sonhos diferem
conforme
o portanto e o porém

Ela conclusiva, eu adversativo
Ela esquecitiva, eu lembrativo.
Ela desce, eu afundo.
Mas no fundo,
eu vivo.

quinta-feira, março 3

Ode às nucas

She´s not a girl who misses much

Tantos discos dos Beatles pra ouvir,
tantos e tantos sentimentos pra sentir,
tanta besteira pra fazer,
tanta Magnífica pra beber.

E ele pensava no nunca,
no nunca mais da nuca.
Bela nuca, aliás,
que, entretanto, ficou pra trás.

Que garoto tolo,
Não sabe que nucas são iguais
e acaba por admirá-las demais

I need a fix cause I´m going down

Dê passagem à nuca escondida pelos cachos negros,
bem delineada pela pele escura,
pois depois de descobrí-la,
perderá essa fissura.

Fissura já fissurada,
esgotada, atrasada,
desmantelada.

Dê passagem aos olhos verdes,
à pele macia com sabor de chocolate dissolvido na boca,
ao olhar vesgo,
à voz roca.

When I hold you in my arms
and I feel my finger on your trigger
I know nobody can do me no harm

E, assim, perceberá
que as nucas são iguais
algumas menos, outras mais.
O que mudará será a forma que as verá.

Because happiness is a warm, yes it is, guuuuunnn!

segunda-feira, fevereiro 28

O mundo é vasto e eu ainda não conheço tudo do Gonzaguinha

Há um lado carente dizendo que sim
E essa vida da gente gritando que não

(Gonzaguinha - Grito de Alerta)

sábado, fevereiro 26

Ok, Let it Be

Eu sei, meu caro, essa música é sua. Apenas a quero emprestada. Uma das mais belas dos Beatles.

Your day breaks, your mind aches
You find that all the words of kindness linger on
When she no longer needs you

She wakes up, she makes up
She takes her time and doesn’t feel she has to hurry
She no longer needs you

And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years!

You want her, you need her
And yet you don’t believe her when she said her love is dead
You think she needs you

And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years!

You stay home, she goes out
She says that long ago she knew someone but now he’s gone
She doesn’t need him

Your day breaks, your mind aches
There will be time when all the things she said will fil your head
You won’t forget her

And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years!

(For No One)

sexta-feira, fevereiro 25

Via de mão dupla

Você não sabe reconhecer um mané, né?
Da próxima vez,
eu te ensino como é.

This is called stay

Three o'clock in the morning
It's quiet and there's no one around
Just the bang and the clatter
As an angel runs to ground
Just the bang and the clatter
As an angel hits the ground

Stay and the night would be enough

quinta-feira, fevereiro 24

Who´s Next?

Você também vive sua vida morna?
Tome cuidado,
pois qualquer dia entorna.

Quer que eu seja igual a você?
E os sentimentos?
Cadê?

Quer removê-los feito móveis?
Eu respeito,
mas, hoje, os meus são imóveis.

Não sorria por obrigação,
pois rir de tudo é desespero,
não?

Nem fique triste por favor ( não há vírgula antes do "por"),
porque isso é desesperador
e nem seria um favor.

Encontre-se da maneira que for,
é o que importa,
lhe aviso quando passar a dor.

Fico assim sem você,
lembra?
Pra quê?

Todos falam do tempo,
e eu não entendo,
acho que o relógio também está de mau comigo.

Sabe qual é o meu pior castigo?
Querer sem poder
ser seu amigo.

Lembra da música?
O que ela dizia
e repetia?

Ainda há fotos,
ainda há o seu perfume,
ainda há você na minha cama,
ainda sinto seu cheiro dentro de um livro,
ainda sinto você nas paredes do meu estômago,
na minha boca,
na minha voz roca,
no meu andar torto,
em filmes.

Nada ficou no lugar, menina,
da próxima vez,
você me ensina.

U2

Once again stuck in a moment
But it´s just a moment
This time will pass

Not so fast, baby!

quarta-feira, fevereiro 23

Ainda

Sim, eu sei, cada um sabe de si e vai só. Só não aprendi a botar em prática.

Umas e Outras

Se a outra não tem paraíso
não dá muita importância, não
pois já forjou o seu sorriso
e fez do mesmo profissão

O acaso faz com que essas duas
que a sorte sempre separou
se cruzem pela mesma rua
olhando-se com a mesma dor

segunda-feira, fevereiro 21

Não?

Sim, chora, deseja, precisa. Também. Berra, sangra e ama e ama e ama e ama. Música linda demais e demais e demais.

Um homem também chora (Gonzaguinha)

Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura

Guerreiros são pessoas
Tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
Que os tornem refeitos

É triste ver meu homem
Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito
Pois ama e ama

Um homem se humilha
Se castra seu sonho
Seu sonho é sua vida
E a vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz!Não dá pra ser feliz!

quinta-feira, fevereiro 17

Plagiando

Desde o fim
Até o início

segunda-feira, janeiro 3

OS LivroS

Há quem diga que a psicologia não se entende com a sociologia. Eu, que nada sei sobre ambas e que nunca li nada a respeito dessa cisão, ou seja lá o que for, me permitirei opinar. Afinal, esse espaço é justamente pra que eu veicule minhas opiniões, por mais que não tenha base alguma para isso. Falo aqui das bases teóricas, pois a vida, por vezes, se encarrega de trazer alguns fatos que tratamos como nossas verdades.

Já ouvi comentários de que a psicologia não era aceita na Rússia comunista por ser considerada uma ciência (?) burguesa. Entendo que esse argumento acredita que tratar o indivíduo desconsidera o social. Bom, espero que os que entendem mais do assunto do que eu, corrijam o que vou falar agora.

Não acredito que o indivíduo possa pensar no social sem resolver suas angústias, medos, ansiedades, ou seja, compreender sua individualidade na sociedade. “Os Sonhadores”, filme em cartaz, me fez pensar que enquanto não entendermos que nos implicamos em todas as nossas decisões, enquanto não desmistificarmos a falácia do altruísmo, enquanto não conhecermos nossas limitações, nunca pensaremos no social de uma maneira sincera e objetiva. Não tenho a intenção aqui de sugerir a eliminação da subjetividade, nem da racionalização das emoções, dos sentimentos. Apenas gostaria que estes não fossem meros artifícios para alimentação do nosso próprio ego.

(Não consigo enxergar com clareza o limite entre a subjetividade e a objetividade. Alguns dizem que tenho a tendência a racionalizar demais, e eu, por vezes, concordo. Mas nem sempre sabem o que se passa aqui dentro. A racionalização pode ser apenas um artifício que uso para conter minhas emoções, colocá-las em limites definidos, como em uma caixinha, de tal forma que eu possa observá-las, manipulá-las, colocá-las de cabeça pra baixo, sacudir pra ver se são firmes mesmo e mudar caso precise).

Voltando, após esse grande parênteses, acho que a psicologia tem muito a oferecer aos sociólogos. Nem que seja pra mostrar que a vaidade humana é tão grande que as ciências isoladas passam a ser o fim e não um meio. As ciências e as não-ciências isoladas me fascinam. Juntas, se é que se juntam, não conseguem resolver problemas menores. Chegamos à lua, e PARA isso alguns milhões de indivíduos morrem de fome. Há briga por recursos, o que pode ser observado, com muita facilidade, nas Universidades. Não há um comprometimento comum, uma causa de todos, um objetivo único. E seus intelectuais sequer se dão conta disso.

Insisto, enquanto não conhecermos nossos limites, desejos, angústias e medos não avançaremos em nada. Continuaremos utilizando nossa limitadíssima visão de mundo para tentarmos afirmar nossas verdades, sem a preocupação de entendermos as outras verdades, que são infinitas, como as possibilidades da vida.

Hoje, acredito que nunca ocorrerá uma Revolução sem uma prévia ou, ao menos, concomitante Revolução do Indivíduo.

Relatos fotográficos

Pra que não digam que foi tudo histórico de pescador, eis as provas da saga em Macaé.

quinta-feira, dezembro 30


Isso também veio junto Posted by Hello

Peixes Posted by Hello

Esperando o peixe ser jogado no mar Posted by Hello

O enjoado Posted by Hello

O fotógrafo Posted by Hello

Nascer do sol em alto mar Posted by Hello

Antes de partir Posted by Hello

The king of the world Posted by Hello

Os tripulantes do Agatha Posted by Hello

quarta-feira, dezembro 22

A visão clara na escuridão da cabine do Agatha

O entusiasmo inicial era enorme, a oportunidade de viver uma experiência nova tinha um sabor especial. Haveria, certamente, sentimentos novos e inesperados, e é isso que faz todo esse turbilhão da vida valer a pena. Pode parecer redundante, mas nós realmente esperávamos por sentimentos inesperados. Tudo isso era suficiente para superar o cansaço de um dia inteiro de entrevistas, apresentação de monografia, 3 horas de viagem, além de uma noite mal dormida, fruto do embarque cancelado do dia anterior.

Depois de um curto período de espera, atenuado pela conversa agradável com o ex-pescador já conhecido, foram chegando os pescadores um a um. O primeiro a chegar foi o mestre, o patrão de pesca, o responsável por um dos barcos que iriam embarcar. Sério, fechado, soltou pouquíssimas palavras e tinha um olhar desconfiado. Sentou-se e ouviu muito mais do que falou. Em seguida, chega seu irmão, que pouco lhe parece, fala um pouco mais e parece menos desconfiado. Junto, chega um outro irmão, bem mais parecido com o primeiro. Fisicamente apenas. Gosta de falar, rir, contar piadas e fez com que nos sentíssemos um pouco mais à vontade. Depois de um tempo, surgem os outros dois que faltavam, um deles seria o responsável pelo outro barco e o outro é um pescador recente, não mais de 3 anos.

O time estava formado, não havia falta de remédio que fizesse com que não entrássemos naquele barco. Confesso que, a princípio, julgamos ser bem mais fortes e resistentes do que realmente somos, mas isto é um detalhe. Detalhe que proporcionou algumas reflexões e os tais sentimentos inesperados. Não falo apenas do enjôo, que nesta altura, todos já devem saber. Falo de alguns sentimentos surgidos na quente cabine escura do barco Agatha.

Entramos no barco de uma forma diferente de todos os outros, pois acreditaram que seria mais seguro que não pulássemos da forma que fizeram. Embarcamos por volta de 1 da manhã, o mar parecia tranqüilo e no começo acreditamos que seria fácil passar 12 horas no barco com nome de escritora. Sugeriram que cada um ficasse em um barco, devido ao espaço, mas como não se opuseram, preferimos ficar juntos, pois na verdade, toda a segurança já comentada, era pura fachada. Sabíamos dos riscos e gostaríamos de contar um com outro.

O barco já andava quando conhecíamos suas instalações. Pouco conheço, não tinha como comparar ou opinar, mas sei que meu companheiro, como engenheiro naval, percebeu que a segurança não era das maiores.

Na primeira pausa de um dos pescadores, a do irmão que pouco parece com os outros dois, perguntamos se poderíamos gravar uma conversa. Explicamos nosso projeto e fizemos algumas perguntas previstas. Outras foram mais informais, o pescador parecia gostar de ser ouvido, ter suas opiniões gravadas. Vestido com a camisa do atual prefeito eleito da cidade parecia ter orgulho do irmão sério, mestre do barco. Revelou nesse papo a dificuldade enfrentada pelos pescadores da região. Diminuiu o peixe, aumentou o número de pescadores e os atravessadores (termo usado por ele) fazem com que o preço caia cada vez mais. No meio da conversa, o mar mostrou a que veio. Não conseguimos mais falar, tentei ficar em algumas posições diferentes, mas em menos de 10 minutos, passei mal pela primeira vez. Espero, ao menos, que tenha alimentado os peixinhos. Logo em seguido, meu grande companheiro não resistiu às ondas intermitentes.


Não demorou mais de 15 minutos e forneci mais comida aos pobres coitados dos peixinhos, que logo seriam mortos pelos trabalhadores. Essa me derrubou. Sentado no convés, não vi o momento que a rede foi atirada ao mar e só conseguia pensar que a pesquisa estaria comprometida e que eu ainda estaria ali por volta de 10 horas.

Não queria incomodar, recusei as propostas iniciais de dormir na cabine e fui deitar no convés, ao ar livre. Meu companheiro logo se juntou e percebemos que deitados não ficaríamos enjoados. Mais algumas propostas para dormir na cabine foram recusadas até que recebemos das mãos do mestre de poucas palavras um cobertor, começava a fazer frio. Em seguida, o irmão com a camisa do prefeito, surge com um colchonete para que deitássemos lá fora, já que não queríamos incomodá-los na cabine. Fiquei realmente surpreso. Os olhares desconfiados iniciais deram lugar a demonstrações de carinho e preocupação.

Conseguimos ficar lá até que começou a chover, não tínhamos mais como recusar o convite da cabine. Ao levantar em direção à cabine, mais um enjôo, mais uma leva de alimentos para os peixes da região de Macaé.

Depois de um pequeno período na chuva, com a cabeça para fora do barco, entrei na cabine e encontrei meu amigo deitado no chão, próximo ao motor do barco. Preferiu ficar ali, deixando reservada para mim uma cama, um tanto quanto mais confortável do que o chão duro e quente, devido à proximidade do motor. Meu estado não era dos melhores e não permitia que recusasse um agrado desses. Subi na cama com a condição de que trocaríamos de lugar durante a noite.

Dormi por umas 3 horas e, ao acordar, tentei convencê-lo a trocar de lugar comigo. Foi em vão, após algumas tentativas frustradas, tentei relaxar e aceitar. Tenho dificuldades em aceitar as coisas, mas tenho tentado, é um processo longo. Não voltei a dormir logo, passei a refletir sobre o que estava vivendo. A princípio, a certeza de uma amizade pra vida toda. Algumas pessoas podem até duvidar, achando que “vida toda” é um conceito exagerado demais, mas, definitivamente, estas pessoas não entendem que alguns gestos são gestos para a vida toda, por mais que sejam momentâneos. Sugiro que experimentam tais sentimentos, que cada abraço dado seja pra vida toda, que cada beijo seja pra vida toda, que cada gesto seja pra vida toda. Assim, entenderão o que quero dizer. Aquele foi um gesto pra vida toda de um cara que naquele momento foi meu amigo pra vida toda.

Olhei um pouco em volta e vi que os outros dois pescadores dormiam também. Apenas o patrão de pesca continuava acordado, atento o tempo inteiro, distraído apenas por um rádio de segurança que ficava na sua cabine. Neste momento tentei ouvir um pouco o que era falado no rádio, percebi que os pescadores comunicavam-se entre si e, o mais curioso, contavam histórias mirabolantes, história de pescadores. Queria poder levantar pra conversar com ele, ouvir um pouco daquelas histórias, mas a certeza de que passaria mal, me fez desistir.

Não cheguei a ver o barco parar por nem um minuto. Dormi mais um pouco e por volta das 5 da manhã, acordei e percebi que o meu companheiro não estava na cabine. Lembrei da idéia de vermos o nascer do sol em alto mar e tentei acompanhá-lo. Não durou mais de 10 minutos para que eu desistisse devido a mais um enjôo causado, o quarto, não percam as contas. Esse foi definitivo, e por mais que estivesse perdendo uma oportunidade única, decidi que não levantaria mais da cama.

Perdi o nascer do sol, perdi as entrevistas, perdi as histórias interessantes, não vi o peixe chegar por volta das 8 da manhã. Mas ao mesmo tempo ganhei coisa demais. A experiência vivida, os gestos de carinho e amizade, um sentimento muito bom me fazia esquecer o meu estado físico deplorável. Por volta das 10:40, levantei mais uma vez, estávamos chegando. Mais uma trapalhada, o cano de descarga estava exposto e depois de todo o cuidado durante a noite, queimei a mão durante o dia. Não importa também.

O dia estava bonito demais, os pescadores separavam os peixes, jogavam fora os que não serviam. Muitos morriam, a pesca de pareja é predatória. Ao menos, as gaivotas se alimentavam deles, fazendo um espetáculo belíssimo no céu.

Passamos um pouco mais de 10 horas no barco e pudemos sentir na pele um pouquinho do que alguns pescadores que ficam 10 dias em alto mar sentem. Bem pouco, claro. As condições de segurança do barco são precárias, não há banheiro e é muito arriscado usar o mar como banheiro, já que o barco balança muito.

No final, nos ofereceram camarão e diversos peixes. Preferimos aceitar apenas os peixes, que não seriam custosos para eles. Levamos 5 peixes e uma experiência única em nossas vidas. Saímos cansados demais, porém com uma bagagem muito maior, embora nossas mochilas tenham continuado com o mesmo peso.

Por fim, um comentário importante:

O dono do barco não foi pescar. E metade de tudo era dele!

segunda-feira, dezembro 13

Ainda sou

Jurava que a música era do Caetano, mas os sítios da rede mundial insistiram que era do Chico. Não importa, é uma das músicas mais bonitas que já ouvi. Pelo menos hoje, no presente.


Se lembra da fogueira
se lembra dos balões
se lembra dos luares, dos sertões

A roupa no varal, feriado nacional
e as estrelas salpicadas nas canções

Se lembra quando toda modinha falava de amor
Pois nunca mais cantei, maninha,
depois que ele chegou

Se lembra da jaqueira
a fruta no capim
o sonho que você contou pra mim

Os passos no porão
lembra da assombração
e das almas com perfume de jasmim

Se lembra do jardim, maninha,
coberto de flor

Pois hoje só dá erva daninha
no chão que ele pisou

Se lembra do futuro que a gente combinou
Eu era tão criança e ainda sou
Querendo acreditar
que o dia vai raiar
Só porque uma cantiga anunciou

Mas não me deixe assim tão sozinho a me torturar
que um dia ele vai embora, maninha pra nunca mais voltar

Maninha/ Chico Buarque (?)

8 e 80

Ontem e amanhã, por vezes, são mais presentes que hoje. Ou seja, passado e futuro, muitas vezes, são mais presentes que o próprio presente. É difícil a missão de viver o momento sem pensar nos que foram e nos que virão, mas é necessário. Necessário para que o presente não seja influenciado pelo futuro. Futuro esse, que provavelmente não existirá. Necessário para que o futuro não seja planejado e que simplesmente venha, inesperadamente, sorrateiramente como a música da sua vida que toca na noite de motel com a mulher da sua vida no presente.

Não dá pra trasformar o futuro em presente, que me perdoem os ciganos. A vida é tão inesperada, que nem o pastel, planejado para esta noite, nós conseguimos comer. Mas se não vier pastel, vem pizza.

Mas e a importância de planejar o pastel? E o prazer sentido nos minutos que o precederam?

Sim, sim, é importante. Portanto, tudo que falei até agora, eu nego. Planejar é preciso. É necessário que o futuro, que não existe, influencie o presente. Para que os momentos que precedem a morte tenham gosto de pastel de carne seca com catupiry.

quinta-feira, dezembro 9

Vida real

Considerando os números reais, há uma infinidade deles entre o 8 e o 80.

segunda-feira, novembro 29

Um pitaco da China

"Ame-me quando menos merecer, pois é quando mais preciso".

domingo, novembro 14

Eu sou um fato

Analisar um fato é definitivamente mais interessante do que julgá-lo!

sábado, novembro 13

The question

O que seria do povo brasileiro se não fosse a cachaça?

quarta-feira, novembro 10

Paraconsistência

Diga lá meu coração o que tu sentes quando a vida dá um nó e as coisas não fazem sentido quando tratadas em conjunto. Diga lá meu coração que ela está dentro em meu peito e bem guardada. Diga, sinta, ria, chore, deixe as coisas acontecerem no seu tempo, o choro, o riso, os sentimentos e a fala. Porque meu irmão me lembrou que a insistência das cabeçadas nos muros da cidade pode enlouquecer. Achar que é o dono do tempo o tempo todo inverte o sentido das coisas. Quem sabe faz a hora, mas também espera acontecer. Entendeu? Nem eu, mas também já cansei das explicações. A solução é admitir que a contradição existe, uma lógica contraditória, talvez. A solução é ver "Antes do pôr do sol" na terça feira à noite com sua menina e ver um sorriso no seu rosto. É preciso mais que nunca prosseguir, sentir, dizer, rir, chorar....


Diga Lá, Coração e espere por mim, morena
Gonzaguinha

São coisas dessa vida tão cigana,

caminhos como as linhas dessa mão.
Vontade de chegar e olha eu chegando
e vem esta cigarra no meu peito
já querendo ir cantar noutro lugar.

Diga lá, meu coração, da alegria de rever essa menina
e abraçá-la e beijá-la.

Diga lá, meu coração, conte as histórias das pessoas
nas estradas dessa vida.
Chore essa saudade estrangulada,
fale sem você não há mais nada,
olhe bem nos olhos da morena
e veja lá no fundo a luz daquela primavera.

Durma qual criança no seu colo,
sinta o cheiro forte do teu solo,
passe a mão nos seus cabelos negros,
diga um verso bem bonito
e de novo, vá embora.

Diga lá, meu coração, que ela está dentro em meu peito e
bem guardada
e que é preciso, mais que, nunca prosseguir.

Espere por mim, morena
Espere que eu chego já
o amor por você, morena
faz a saudade me apressar

sexta-feira, outubro 29

Ah se deus existisse!

Trecho de entrevista à revista Caros Amigos (novembro de 2000)

"Se eu ganhasse a Presidência para fazer o mesmo que o Fernando Henrique Cardoso está fazendo, preferiria que Deus me tirasse a vida antes. Para não passar vergonha.Porque, sabe o que acontece?Tem muita gente que tem o direito de mentir, o direito de enganar. Eu não tenho. Há uma coisa que tenho como sagrada: é não perder o direito de olhar nos olhos de meus companheiros e de dormir com aconsciência tranqüila de que a gente é capaz de cumprir cada palavra que a gente assume.E, quando não as cumprir, ter coragem de discutir por que não cumpriu"(Luiz Inácio Lula da Silva)

quarta-feira, outubro 20

My way

De dia, disfarce através da razão. As luzes, os carros, o trânsito, a correria o assustam. A luz nem sempre ajuda a visão, por vezes ofusca.

De madrugada não dá pra mentir. A escuridão é de uma clareza inigualável, o silêncio revela um grito ensurdecedor.

Numa dessas madrugadas claras como neve, ele só precisava de uma música triste surpreendente. Uma daquelas músicas que o surpreende em um quarto de motel. Não valia uma música triste esperada, tinha que ser uma música triste inesperada, que fizesse doer os músculos e que fizesse jus àquela noite melancólica, fria e clara como neve.

A alegria das músicas da rádio o irritava profundamente. Quem as 4 da manhã buscaria alegria na rádio? Não tinha jeito, não havia música que expressasse o que ele sentia, não naquela noite melancólica, fria e clara como neve. Abriu mão do inesperado, tirou o cd do Sinatra da gaveta e tocou "My Way". Boa escolha, já que percebera que teria que seguir a vida do seu jeito e se necessário fazer a sua própria música triste e inesperada. Dormiu bem.

quarta-feira, outubro 13

Sobre as gaivotas

Às vezes me pergunto se nos levamos a sério demais. Outras vezes me pergunto se não nos levamos nada a sério.

Uma pequena observação sobre essa estranhíssima mania de ficar me perguntando sobre as coisas me fez tirar uma conclusão: Eu, pelo menos, me levo a sério demais, demais no mau sentido, no mau sentido pra mim porque isso tortura. A maquininha não pára, sabe? E nem a mais moderna das máquinas funciona ininterruptamente (afirmação sem nenhuma base de uma pessoa que não se leva tão a sério assim). Essa maquininha aqui precisava de uma pausa pra manuntenção porque esse eterno trabalhar causa sérios danos, alguns curtos circuitos, uns problemas sem explicação como no Windows 98, que aliás é um grande ensinamento de que nem tudo na vida tem explicação. Alguém me disse que alguem disse que ouviu alguém dizer que a gaivota só voa porque não se leva tão a sério. Eu concordo, eu concordo. A confusão do texto é proposital ou inevitável. Proposital para refletir a confusão da maquininha, inevitável pois a mesma não sabe lidar de outra forma com o mundo que a fez complicada assim. Aliás, esse é o mesmo mundo das gaivotas que não se levam tão a sério nem são tão complicadas. Juro que vou tentar tirar algum ensinamento do Windows 98 e não tentar explicar tudo.

sexta-feira, outubro 8

É a maldita possessividade

Valeu pelo texto, Rita, gostei muito. O engraçado é que já tentei escrever sobre isso, mas nunca fui tão feliz quanto o escritor português.

"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Miguel Sousa Tavares (Escritor português, a propósito da perda de sua Mãe, a escritora e poetisa Sophia de Mello-Breyner)

segunda-feira, outubro 4

Um estudo de caso exploratório sobre minhas reminiscências ou uma reflexão sobre os "quereres"

Tenho tanta coisa pra escrever que acabo ficando sem nada, pois falta uma unidade de análise, um objeto bem definido. Aliás, essa é também minha maior dificuldade pra escrever a monografia. Será uma limitação minha? Uma dificuldade de obter foco na vida? De querer abraçar o mundo com as pernas, antecipar um futuro ou retardar um presente? Taí, dificuldade de viver o presente talvez seja uma boa unidade de análise.

Será que é verdade que quem tá fora quer entrar e quem tá dentro quer sair (João das Coves apud dito popular, pág desconhecida)? Essa é a nossa (um estudo científico exige que não usemos a primeira pessoa do singular, por mais que a primeira e única pessoa da pesquisa seja eu mesmo com toda a minha singularidade) hipótese. Sem a necessidade de explanar uma teoria, faremos um estudo de caso único, mesmo porque entender a si mesmo já é uma missão muito árdua, impossibilitando a viabilidade de qualquer tipo de pesquisa com uma amostra mais significativa. Mas também podemos considerar que uma única pessoa traz em si muitas outras que passaram e continuam passando, tornando-a uma amostra relativamente significativa no universo. Gente é gente. Nesse estudo de caso abordaremos a pesquisa-ação-mais-que-integral-e-mais-que-sistêmica, pois o ator envolvido no caso está mais do que comprometido com a participação na pesquisa. Pesquisador e pesquisado confundem-se de uma maneira nunca vista anteriormente.

Primeiramente, trabalhamos com um levantamento histórico, usando como ferramenta única o poderoso Guliver. Dados interessantíssimos foram extraídos, como a vontade de ter aparelho quando muitos dos seus amigos pareciam bonitos com a parafernália nos dentes. Além desse, outros mais esquisitos como vontade-de-ter-óculos e, pasmem, vontade-de-ficar-com-o-rosto-descacado também foram identificados. Algumas outras informações mais sigilosas foram obtidas, mas o respeito e o comprometimento mútuo obtido na pesquisa nos impede de veiculá-las, tendo o entrevistado permitido que disséssemos uma delas: também tinha vontade de ter espinhas, ainda que numa versão light, pois essas representavam a maturidade.

Todos esses dados podem ser confrontados com outros casos, que apesar de não terem sido estudados, fazem parte do conhecimento acumulado do pesquisador e do chamado "senso comum", que representa também o conhecimento acumulado desses que me lêem. Essas experiências mostram que quem usa aparelho e óculos não estão satisfeitos com suas respectivas condições. Podemos dizer a mesma coisa dos quem tem o rosto descascado, que além de reclamarem da aparência, sofrem com a dor causada pelos raios ultravioletas. Os detentores de acne encontram-se na mesma situação destes últimos.

Como já foi falado, não há a pretensão de generalização de uma teoria, mas o diagnóstico desses dados levantados mostra claramente a insatisfação de todos com relação às variáveis abordadas (ter espinha, descascar, usar óculos e aparelho). Outros casos, também não tão bem estudados, podem ser citados apenas com o intuito de gerar uma reflexão ao leitor, como a eterna insatisfação das morenas que querem ser loiras e vice-versa. Isso para não falar das que têm cabelo liso que querem ter o cabelo encaracolado e vice-versa mais uma vez.

Essa primeira parte da pesquisa consistiu apenas no uso da memória para o confrontamento de dados, que por sua vez tem o intuito de gerar uma reflexão sobre os "quereres", deixando o leitor livre para eventuais conclusões. A próxima etapa da pesquisa ainda depende de verbas de tempo que podem ou não ser liberadas pelos organismos responsáveis: o ócio e a insônia.

quinta-feira, setembro 16

Tempo atemporal

Abre-se a porta, vejo menina de saia e banho tomado. Poucas palavras trocadas, na verdade nenhuma, por alguns míseros minutos. Alguns extraordinários míseros minutos seguidos por frases curtas, curta saia, cabelo curto, beijos longos, sentimento longo, abraço longo, sensação eterna, certeza eterna, mesmo que curta, média ou longa cujo o tempo que é atemporal determinará. Determinará a eterna incerteza do que hoje é certo.

sábado, setembro 4

Nem sempre dá

Nem sempre estamos imunes a tudo que acontece com os outros, nem sempre conseguimos usar um tapa-burro e fingir que não vemos a menina no sinal vendendo bala. É uma questão de sobrevivência, mas nem sempre dá. Por vezes acordo bem, penso em ver um filme de comédia, me distrair um pouco, mas nem sempre dá. Em alguns instantes quero acreditar(ou me iludir) que as coisas estão progredindo, que está ocorrendo alguma mudança, mas não consigo ser tão ingênuo por muito tempo. Não bastasse a avalanche de realidade das ruas, elas são entregues na sua casa às 5 da manhã. E nós ainda pagamos por isso.

Hoje eu não queria ter ligado a televisão a não ser pra ver um filme de comédia. Hoje eu não queria ter visto o jornal, a não ser pra ler que meu Flamengo tá melhorando. Hoje eu queria ser fútil, alienado ou o que quer que seja. Hoje eu não queria ver aquela criança chorando na capa do jornal, não mesmo. 200 mortos e 700 feridos. Os 700 me incomodam mais. Que tipo de ferida? Certamente as mais graves não são visíveis, certamente não são cicatrizáveis (as cicatrizes são boas, as feridas que não são) e muito provavelmente serão responsáveis por novas feridas não cicatrizáveis, que por sua vez darão continuidade ao círculo vicioso. Em progressão geométrica. Um círculo que aumenta de diâmetro a cada dia.

Definitivamente não me interessa saber quem são os responsáveis. Se são os babacas de bunda pro alto ou se são os babacas nacionalistas. O pior é saber que isso acontece, saber que o círculo tá me englobando, que a ferida vem até aqui e que isso será usado como desculpa pra que outros babacas façam a mesma coisa. Às vezes espero anciosamente o tão anunciado fim do petróleo pra ver se melhora algumas coisa, mas no fundo sei que não é essa a questão.

Hoje eu só queria ver um filme pipoca, mas nem sempre dá.

quarta-feira, setembro 1

Propaganda política

Quem já estudou alguma coisa de marketing sabe que uma das funções da propaganda é extrair qualidades inovadoras dos produtos, por mais que estes não as tenham. Por mais que seja um produto de merda, que não tenha utilidade nenhuma e não tenha nada que preste, a propaganda está lá pra exaltar/inventar suas qualidades.

Assim também é a propaganda política....